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Campuseiros furtados na Campus Party ajudaram a identificar e prender o suspeito

Detido não tinha autorização para entrar no evento; organização disse às vítimas que elas não serão ressarcidas

Campuseiros que tiveram notebooks e tablets furtados nesta última quinta-feira na Campus Party explicaram ao site de VEJA seu papel na identificação e prisão de um homem realizada dentro do evento. Tiago Soares, uma das vítimas, afirma que ele e seus amigos reconheceram o detido e chamaram a atenção dos seguranças do evento.

O macbook de Soares havia sumido enquanto ele almoçava. Quando ele se deu conta do furto, o estudante Pietro Viecili, que Soares conheceu na Campus Party ao dividirem a mesma bancada, afirmou que viu um homem com camisa xadrez vermelha usando o notebook em questão. Viecili achou que o homem era amigo de Soares e não estava presente quando o computador foi de fato levado. Outro campuseiro da mesma turma, Victor Pommer, também se deu conta de que sua bolsa havia sido furtada naquele horário.

A bolsa continha um tablet Xoom, da Motorola, que o campuseiro ganhou do pai há cerca de 15 dias. Pommer e Viecili encontraram o suspeito rondando outros computadores da Apple e notificaram os seguranças do evento. Três macbooks, inclusive o de Soares, foram encontrados dentro da mochila do suspeito. O Xoom ainda não foi recuperado.

Em comunicado oficial emitido nesta quinta-feira, a Campus Party afirma que três notebooks foram encontrados por seguranças na mochila do detido quando este tentava passar da arena dos campuseiros – de acesso restrito a participantes do evento – para a área da exposição aberta ao público.

Antes de ser levado embora do Parque Anhembi, onde acontece a quinta edição da Campus Party, o detido foi acompanhado de volta ao evento para identificar um comparsa, que não foi encontrado. Enquanto era escoltado novamente para fora, foi vaiado e xingado por campuseiros.

Soares, Pommer, Viecili e outros dois amigos acompanharam o homem até a delegacia para fazer o boletim de ocorrência. Eles afirmam que o preso não é brasileiro – vem de algum outro país da América Latina. Além disso, eles disseram que o detido não tinha nenhum crachá de acesso à arena da Campus Party. Procurada pelo site de VEJA, a organização do evento não respondeu se o homem detido possuía um crachá e solicitou que a pergunta fosse feita por e-mail. A mensagem, enviada na quinta-feira, ainda não foi respondida.

Para Viecili, o detido poderia ter levado computadores e tablets furtados para fora do evento pela janela do banheiro, com a ajuda de um comparsa. As janelas do banheiro da arena dos campuseiros não têm grades e são grandes o suficiente para permitir que mochilas sejam passadas para fora.

Essa tese explicaria por que o tablet Xoom de Pommer, que completou 20 anos nesta sexta-feira – um dia depois do furto -, não foi recuperado. O episódio fez com que o campuseiro não conseguisse terminar o seu projeto: o site Campus Love. A página, criada pelo desenvolvedor e seus amigos já na Campus Party de 2011, permitia que casais se conhecessem e engatassem um namoro durante o evento geek. Pommer e seus amigos combinaram de reformular o site nos primeiros dias desta edição e colocá-lo no ar na quinta-feira, justamente o dia em que Pommer foi roubado e passou a se dedicar à recuperação de seus pertences.

Outro amigo da turma, Diogo Alves Guedes, também foi vítima: seu notebook Asus G74SX-A1 desapareceu. A fim de receber compensação, Guedes procurou a organização da Campus Party e recebeu a informação de que não será indenizado. “Eles me passaram um endereço de e-mail e me pediram para entrar em contato”, diz. “Não sei porque motivo me orientaram a mandar uma mensagem se já afirmam que não serei ressarcido”.

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