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Uso de antidepressivos na gravidez aumenta risco de autismo no bebê

Um novo estudo mostrou que filhos de mães que utilizaram estes medicamentos no segundo e terceiro trimestre da gravidez apresentaram o dobro de risco para o distúrbio

Usar antidepressivos na gestação, em especial os inibidores seletivos de recaptação de serotonina (SSRIs, na sigla em inglês), pode aumentar em até 87% os riscos do surgimento de distúrbios do espectro autista nos filhos. É o que diz um estudo recém-publicado no periódico científico JAMA Pediatrics.

No trabalho, pesquisadores da Universidade de Montreal, no Canadá, analisaram dados de saúde de quase 146 mil mães e crianças, acompanhadas durante dez anos, durante o período da gestação. Os resultados mostraram que 4.724 (3,2%) dos fetos foram expostos a antidepressivos. A maioria deles (4.200) foi exposta no primeiro trimestre da gestação.

Ao longo dos 10 anos de acompanhamento, 1.054 bebês (0,7%) foram diagnosticados com autismo, mas o risco de desenvolvimento da doença aumentou 87% entre aqueles cujas mães tomaram antidepressivos nos últimos seis meses de gravidez (segundo e terceiro trimestre). De acordo com os autores, embora no geral o risco de autismo ainda seja muito baixo, ele é maior em relação aos filhos com mães que não tomam estes medicamentos.

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Por ser um estudo observacional, não demonstra uma relação de causa e consequência entre o uso de antidepressivos pelas mães e o autismo nos filhos, mas os pesquisadores afirmam que é biologicamente possível que uma medicação afete o desenvolvimento cerebral no bebê. “Normalmente, pensamos que o primeiro trimestre da gravidez é o mais arriscado para o feto. De fato, é um período problemático para a formação do embrião. Mas o segundo e terceiro trimestres são cruciais para o desenvolvimento do cérebro”, explicou Anick Bérard, professora da Universidade de Montreal, principal autora do estudo, ao jornal O Estado de São Paulo.

Segundo o estudo, a associação entre o autismo e os antidepressivos apareceu especialmente na utilização de medicamentos da classe de inibidores seletivos da recaptação da serotonina. “A serotonina está envolvida em numerosos processos no desenvolvimento pré e pós-natal, incluindo a divisão celular, migração de neurônios, diferenciação celular e gênese das sinapses, isto é, a criação de ligações entre as células cerebrais. Alguns antidepressivos funcionam com a inibição da serotonina, o que tem um impacto negativo na capacidade do cérebro de se desenvolver por completo e adaptar na vida intrauterina”, disse Anick.

Os autores ressaltam que o trabalho não é uma recomendação para as mulheres pararem de tomar antidepressivos, apenas um alerta que esses medicamentos podem afetar o bebê. É fundamental ter sempre o acompanhamento médico.

Autismo – Os distúrbios do espectro autista são caracterizados por dificuldades de interação social, comunicação comportamentos repetitivos. No entanto, pouco se sabe das causas da doença. Especialistas acreditam que ela seja resultado de uma mistura de fatores genéticos e ambientais.

(Da redação)

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