Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

Serra Leoa suspende quarentena contra o ebola

A epidemia parece ter começado uma fase de retrocesso nos países mais afetados, onde o número de novos casos caiu em janeiro ao menor nível desde agosto

O presidente de Serra Leoa, Ernest Bai Koroma, anunciou o fim das medidas de quarentena para lutar contra o ebola, na noite da última quinta-feira. A declaração foi feita devido ao retrocesso da epidemia no país, que tem o maior número de casos registrados na África.

“As restrições ao movimento da população serão reduzidas para fomentar a atividade econômica. Já não haverá restrições deste tipo em nível local ou provincial”, afirmou Koroma em um discurso transmitido pela rádio e pela televisão. As medidas valem para todas as províncias e outras localidades e entram em vigor nesta sexta-feira.

Leia também:

Morcego teria dado início ao surto de ebola

Ebola: como o vírus burro se tornou uma epidemia

Serra Leoa, com 6 milhões de habitantes, colocou em quarentena seis das suas catorze províncias, ou seja, quase metade da população, depois do estabelecimento do estado de emergência, no final de julho, para lutar contra a epidemia de ebola que causou mais de 3 100 mortes e infectou cerca de 10 000 pessoas no país.

“Entramos agora em uma fase de transição. Tendo em conta os progressos realizados contra a doença, devemos agir para permitir o restabelecimento econômico e social”, explicou Koroma. Ele disse que o abrandamento das restrições ao comércio na Região Oeste inclui a capital, Freetown. O presidente também apelou à população para que a vigilância seja mantida, bem como as medidas de higiene e de prevenção, em particular não tocar nos doentes e nos mortos.

Vacina – O primeiro carregamento da vacina experimental para o ebola produzida pela farmacêutica GlaxoSmithKline deve chegar à Libéria no fim desta sexta-feira, informou a empresa britânica em comunicado.

A remessa inicial de 300 ampolas de vacina será a primeira a chegar a um dos três países africanos mais afetados pela doença. Ela será usada nos primeiros testes de larga escala, nas próximas semanas, e os agentes de saúde que ajudam a cuidar de pacientes serão os primeiros a recebê-la. Os pesquisadores esperam inscrever até 30 000 pessoas na fase de testes, um terço dos quais devem receber a vacina da GSK.

O medicamento, desenvolvido pelos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos (NIH, na sigla em inglês) e pela Okairos, empresa de biotecnologia comprada pela GSK em 2013, está sendo usado atualmente em testes de segurança de fase I na Grã-Bretanha, nos Estados Unidos, na Suíça e no Mali, com cerca de 200 voluntários.

A vacina usa um tipo de vírus congelado de chimpanzé para fornecer material genético seguro da cepa de ebola do Zaire, responsável pela nova epidemia no oeste africano. O remédio da GSK, assim como de outros candidatos, como os da colaboração entre a NewLink Genetics e a Merck, da Johnson & Johnson e da Bavarian Nordic, ainda se encontra em desenvolvimento e não pode ser utilizado a até que se mostre seguro e eficaz.

Mortes – A epidemia de ebola já deixou 8 641 mortos e 21 724 infectados nos países afetados até 18 de janeiro, segundo o último balanço da Organização Mundial de Saúde (OMS).

(Com Agência France Presse, Agência Brasil e Reuters)

Member of The Internet Defense League