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Remédio contra vírus H1N1 está em falta em São Paulo

Além de lotar os pronto-socorros dos hospitais do estado de São Paulo, o surto antecipado de H1N1 esvaziou as prateleiras das farmácias da capital paulista

Além de lotar os pronto-socorros dos hospitais da capital e do interior de São Paulo, o surto atípico de gripe H1N1 acabou com os estoques de Tamiflu, medicamento contra o vírus.

“Falta Tamiflu na cidade há semanas”, disseram farmacêuticos e pacientes. “Comecei a procurar ontem nas farmácias. Fui do Cambuci, na capital, até Osasco procurando. Passei por dez farmácias e não achei”, disse o servidor público Cláudio Pereira, de 41 anos. Sua mulher recebeu o diagnóstico da doença terça-feira, 29, e só conseguiu o medicamento na rede pública. “Pegamos uma cartela com dez comprimidos para ela tomar por cinco dias, que foi a recomendação.”

Na semana passada, a advogada Kátia Luz, de 48 anos, encarou a saga pelo medicamento para o filho de 10 anos, que chegou a ficar internado. “Passei um dia procurando e não achei. Fiquei desesperada. Sorte que uma amiga me indicou uma farmácia da rede pública.”

A rede de farmácias Pague Menos informou que o medicamento não está disponível nem no estoque nem nas lojas. A rede Raia Drogasil teve alta demanda e está em contato com o laboratório para tentar normalizar o estoque.

Em nota, o laboratório Roche, responsável pelo produto, informou que um aumento na procura foi registrado a partir da segunda quinzena de março, esgotando a versão de 75 mg do medicamento, e diz que novos lotes vão chegar em abril. “A Roche mantém estoque das apresentações de 30 mg e 45 mg, que são parte de um plano de distribuição que visa a atender solicitações de farmácias, hospitais e distribuidores.”

Máscaras e orientações para evitar a proliferação da doença estão disponíveis nas entradas de prontos-socorros particulares da capital.

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Vacinação abaixo da média – Segundo informações do Ministério da Saúde, a taxa de adesão da população de São Paulo à campanha de vacinação contra a gripe em 2015 foi a menor dos últimos três anos e ficou abaixo da média nacional. Para especialistas, a adesão insuficiente à vacina é uma das causas do surto atípico da doença, que já causou 38 mortes nos três primeiros meses deste ano, o triplo do acumulado em todo o ano passado.

Para médicos, a queda expressiva entre as taxas de cobertura de 2013 para 2015 está relacionada com um descuido de parte da população em relação aos riscos da doença, após dois anos de baixa incidência do vírus. Em 2013, o Estado registrava o pior surto recente da doença, com 405 mortes, e a adesão à campanha foi recorde. Foi o único ano, desde 2011, em que a participação dos paulistas foi superior à média do País.

“Depois de 2013 parece que as pessoas começaram a ficar mais relaxadas. Ficamos dois anos sem ver muito o H1N1 e, quando baixa o alerta, as pessoas se vacinam menos”, diz o infectologista Celso Granato, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Nova data – O Ministério da Saúde anunciou na segunda-feira que vai permitir a antecipação da vacinação contra a gripe H1N1 para os Estados interessados em começar a imunizar grupos considerados de risco antes da campanha nacional, que terá início em 30 de abril. Em São Paulo, que requisitou a antecipação, o primeiro lote deve chegar nesta sexta-feira. Nos demais Estados, a partir da próxima segunda. Cada secretaria estadual deverá divulgar o calendário que adotará para vacinar a população.

De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, inicialmente 532,4 mil profissionais de saúde de hospitais públicos e privados da capital e região metropolitana da grande São Paulo receberão a vacina. Até 8 de abril, sexta-feira, todos os hospitais desses municípios receberão as doses, que já vão proteger a população contra os vírus do inverno de 2016 (A/California (H1N1), A/Hong Kong (H3N2) e B/Brisbane), para a realização de campanhas internas.

Já a partir do dia 11 de abril, a vacinação será ampliada para as crianças maiores de seis meses e menores de cinco anos (982,8 mil), para as gestantes (179 mil) e aos idosos (1,83 milhão) da capital e grande São Paulo, totalizando quase 3 milhões pessoas imunizadas.

Para as demais cidades do estado e outros demais públicos-alvo (doentes crônicos, puérperas, indígenas, funcionários do sistema prisional e a população privada de liberdade), a campanha de vacinação contra a gripe deve seguir o calendário do Ministério da Saúde, com início previsto para o dia 30 de abril.

(Com Estadão Conteúdo)

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