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Manter amigos estimula a tolerância à dor

De acordo com um estudo de Oxford, a explicação está na liberação dos hormônios associados ao bem-estar

Um novo estudo aponta que ter amigos aumenta a tolerância à dor. A pesquisa publicada nesta quinta-feira (28), na revista científica Scientific Report, também indica que pessoas muito estressadas e aquelas em boa forma física tendem a ter menos amigos.

Para chegar a essa conclusão, pesquisadores da Universidade de Oxford, na Inglaterra, procuraram comprovar a teoria de que o sistema de endorfina – substância analgésica produzida pelo organismo que também provoca sensação de bem-estar – no cérebro pode ter evoluído não só para responder ao desconforto físico, mas também influencia a nossa experiência de prazer a partir das interações sociais.

“O comportamento social e estar ligado de alguma forma a outros indivíduos (ficar perto de nossos pais, filhos e amigos) é realmente importante para a nossa sobrevivência. Eu estava particularmente interessada na ação da endorfina, que é parte dos nossos circuitos de dor e prazer. Até porque, estudos mostraram que, em uma dose equivalente, a endorfina é mais forte que a morfina”, disse Katerina Johnson, coautora da pesquisa.

Para testar essa teoria, os autores analisaram os vínculos sociais e a tolerância à dor de 101 pessoas, com idade entre 18 e 34 anos. No experimento, cada participante precisou completar um questionário que buscava avaliar os seguintes pontos: quantidade de amigos íntimos (este item dividia-se em “duas categorias”: aqueles que você faz questão de ver pelo menos uma vez por semana ou uma vez por mês), personalidade, forma física e nível de stress.

Em seguida, os voluntários foram submetidos a um teste físico que consistia em ficar apoiado de costas em uma parede, com os joelhos dobrados em 90º, como se estivessem sentados em uma cadeira imaginária. Eles deveriam ficar nessa posição, suportando a dor e o desconforto, o máximo que conseguissem.

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Os resultados mostraram que os participantes que tinham mais amigos suportaram a tarefa por mais tempo. E, por incrível que pareça, a quantidade de amigos contatados uma vez por mês mostrou-se mais eficaz – no que diz respeito à tolerância à dor – do que aqueles contatados semanalmente. “Isso mostra que a relação com a quantidade de endorfina no cérebro pode só ser relevante quando se trata do máximo de laços sociais estreitos que podemos manter, uma vez que quase todos nós temos alguns amigos e familiares em quem podemos confiar em tempos de necessidade”, disse Katerina.

Outro dado interessante é que, apesar dos participantes com melhor forma física terem tolerado o desconforto físico por mais tempo, eles tinham menos amigos. “Isso pode ser simplesmente por uma questão de tempo. Pessoas que passam mais tempo se exercitando podem ter menos tempo para ver seus amigos. Ou porque as duas atividades – socializar com os amigos e praticar atividade física – liberam endorfina. Portanto, essas pessoas sentem menos necessidade de socializar”, explica a autora.

Por sua vez, os participantes que relataram maiores níveis de stress também apresentaram menos vínculos e menor resistência à dor. Dessa forma, a autora sugere que as redes sociais poderiam ajudar essas pessoas a lidar melhor com o estresse.

Outra sugestão do estudo refere-se a quantidade e a qualidade das nossas relações sociais. Tais características afetam a saúde física e mental e podem até ser determinantes em relação ao tempo que vamos viver. “Evoluímos para prosperar em um ambiente socialmente rico, mas nesta era digital, as deficiências em nossas interações sociais podem ser um dos fatores negligenciados e é preciso ficar atento”, afirmou Katerina.

Por fim, o estudo sugere que o sistema de produção e liberação de endorfina pode ser interrompido por distúrbios psicológicos, como a depressão. “Isto pode ser parte da razão pela qual as pessoas deprimidas frequentemente sofrem de falta de prazer e ficam socialmente mais isoladas”, afirmou a pesquisadora.

(Da redação)

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