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Estudo europeu afirma que antidepressivo reboxetina é “ineficaz e perigoso”

O medicamento não é aprovado nos Estados Unidos, mas é livremente comercializado no Brasil

Por Da Redação - 14 out 2010, 16h31

Os cientistas não encontraram diferenças significativas quanto as benefícios da reboxetina em relação ao uso de placebo

O antidepressivo reboxetina é um medicamento “ineficaz e potencialmente perigoso”, de acordo com estudo publicado na revista médica British Medical Journal. A mesma pesquisa indica também que quase 75% dos dados dos pacientes que se submeteram a testes clínicos com o reboxetina não foram publicados até agora, e que a informação divulgada superestima os benefícios do tratamento e subestima seus riscos. Isso ressalta a necessidade urgente de se divulgar os resultados obtidos nos testes clínicos, afirma o estudo.

Em muitos países europeus o uso do Reboxetina para o tratamento da depressão foi aprovado em 1997, mas sua eficácia foi posta em dúvida com base em estudos recentes e pela não-aprovação de seu uso nos Estados Unidos, em 2001, pelo FDA (órgão que regula alimentos e medicamentos). De acordo com o novo estudo, os resultados dos testes clínicos mostram que o uso do medicamento pode ser perigoso. “Os novos resultados mostram a importância dos estudos independentes. A informação trazida pelos próprios fabricantes pode conter um viés não muito verdadeiro”, diz Marco Antônio Brasil, psiquiatra da Associação Brasileira de Psiquiatria.

No Brasil, o uso da droga é aceito e liberado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no tratamento de pacientes com depressão moderada a grave. Segundo o psiquiatra Ricardo Moreno, coordenador do Grupo de Doenças Afetivas do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo, o medicamento não costuma ser a primeira opção médica. “Ele é mais usado quando o paciente não responde muito bem às outras drogas”, diz. No país, a reboxetina não se encontra no rol dos remédios mais usuais no tratamento da depressão. “Há mais de 30 compostos diferentes no mercado. As opções são muitas.”

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Uma equipe de pesquisadores do German Institute For Quality And Efficiency In Health Care (IQWIG) avaliou os benefícios e os riscos do Reboxetina, com base em um grupo de controle que recebeu o placebo e na comparação com outros famosos antidepressivos como o SSRI (inibidor seletivo da recaptação da serotonina).

Os pesquisadores também mediram o impacto de potenciais publicações tendenciosas nos testes clínicos com o reboxetina. A equipe de especialistas analisou as conclusões obtidas em 13 testes clínicos, entre eles oito realizados previamente pela fabricante do reboxetina, a farmacêutica Pfizer, cujos resultados não tinham sido divulgados.

Ineficaz e potencialmente perigoso – Em geral, a qualidade desses testes foi boa, mas os pesquisadores observaram que os resultados dos testes em 74% dos pacientes não haviam sido revelados. Após essa análise, eles concluíram que o Reboxetina é um antidepressivo ineficaz e potencialmente perigoso.

Os cientistas não encontraram diferenças significativas quanto a seus benefícios em relação ao uso de placebo e observaram benefícios inferiores dessa medicação em comparação com o uso do SSRI. Além disso, observaram uma percentagem maior de pacientes afetados pelo uso deste medicamento em relação aos que tomaram o placebo. O número de pessoas que teve que parar de tomar o remédio por causa de reações adversas também foi maior no caso do reboxetina do que entre os que tomaram o placebo e o SSRI.

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Após comparar os testes, os cientistas viram que a informação publicada antes supervalorizava os benefícios de seu uso e subestimava suas reações adversas. Este fato, segundo os autores do estudo, mostra a parcialidade da publicação. “Nosso estudo ressalta a necessidade urgente da publicação obrigatória dos dados dos testes clínicos”, disseram. Em outra pesquisa publicada pela revista, os cientistas argumentam que as atuais regulações sobre a publicação de resultados de testes clínicos são “insuficientes”.

Em um editorial escrito pelos pelas responsáveis da revista, Fiona Godlee e Elizabeth Loder, elas destacaram que na hora de decidir qual medicamento tomar “é vital que haja informação completa sobre testes clínicos com esses remédios e outros tratamentos realizados previamente”.

(Com Agência EFE)

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