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Droga para espasmos é bem-sucedida contra alcoolismo

Inicialmente usada para o tratamento da epilepsia, bacoflen chamou a atenção para tratar o alcoolismo após livro francês

Uma droga criada para tratar espasmos nervosos também pode ser usada no combate ao alcoolismo, afirmaram médicos da Universidade de Paris-Descartes, em estudo publicado nesta terça-feira no periódico Alcohol and Alcoholism. O medicamento foi bem-sucedido em um teste preliminar com 132 pessoas. Os efeitos colaterais, porém, incluem fadiga, sonolência, insônia, tontura e problemas digestivos.

CONHEÇA A PESQUISA

Título original: Abstinence and ‘Low-Risk’ Consumption 1 Year after the Initiation of High-Dose Baclofen: A Retrospective Study among ‘High-Risk’ Drinkers

Onde foi divulgada: revista Alcohol and Alcoholism

Quem fez: Laurent Rigal, Constance Alexandre-Dubroeucq, Renaud de Beaurepaire, Claire Le Jeunne, e Philippe Jaury

Instituição: Universidade de Paris-Descartes

Dados de amostragem: 132 bebedores contumazes

Resultado: Os pacientes ingeriram baclofen em altas doses durante um ano. Oitenta por cento ficam abstêmios ou se tornaram bebedores moderados.

O baclofen – nome laboratorial do medicamento comercializado como Kemstro, Lioresal ou Gablofen – agora deve passar por testes clínicos maiores, afirmaram os cientistas. O medicamento tem 50 anos. Ele foi originalmente criado para tratar a epilepsia, antes de ser licenciado para casos de espasticidade (rigidez na musculatura de braços e das pernas, que muitas vezes dificulta os movimentos).

O interesse no novo uso do medicamento teve início em 2008, quando o cardiologista Olivier Ameisen afirmou ter tratado a si próprio de alcoolismo com altas doses de baclofen, em seu livro O Fim do Meu Vício (Ed. Fontanar).

Para avaliar a descrição de Ameisen, o teste preliminar foi realizado com bebedores contumazes que ingeriram baclofen em altas doses durante um ano: 80% ficaram abstêmios ou se tornaram bebedores moderados. Para efeito de comparação, duas drogas comumente usadas para tratar alcoólicos, naltrexona e a acamprosato, obtiveram uma taxa de sucesso entre 20% e 25%.

O coordenador da pesquisa, Philippe Jaury, disse que o resultado abriu as portas para testes clínicos com duração de um ano, a partir de maio. A amostragem agora será de 320 alcoólatras, divididos em dois grupos. Uma parte receberá baclofen, com doses que aumentariam gradativamente até que os sintomas de abstinência desapareçam, enquanto a outra receberá um placebo.

(Com Agência France Presse)

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