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PSB faz suas propostas para mergulhar no governo Temer

Partido prepara agenda programática a ser apresentada ao vice-presidente. Nos bastidores, contudo, há divergências entre a cúpula pessebista e as bancadas da sigla no Congresso

Nos últimos três anos, o PSB flutuou pelas mais variadas posições políticas: desembarcou da base do governo Dilma Rousseff, adotou, após a reeleição da petista, posição de independência no Congresso e, neste ano, anunciou uma “marcha em definitivo” rumo à oposição, entregando 29 votos pelo impeachment da presidente. Agora, estuda voltar a ser governo e já prepara uma agenda programática para ser apresentada ao vice-presidente Michel Temer, que no próximo mês pode assumir o Palácio do Planalto.

A Executiva da legenda se reuniria nesta quinta-feira para bater o martelo sobre a participação na provável gestão do peemedebista, mas o encontro acabou cancelado. O argumento oficial é o de que a cúpula do PSB prefere aguardar o desenrolar do processo de impeachment no Senado e não tomar nenhuma decisão precipitada. Nos bastidores, porém, uma divisão entre o comando do partido e as bancadas na Câmara e do Senado evidencia a falta de consenso sobre qual caminho seguir.

Conforme relatos ouvidos pelo site de VEJA, a maior resistência parte principalmente dos governadores Paulo Câmara, de Pernambuco, e Rodrigo Rollemberg, do Distrito Federal, e também de nomes que ainda se opõem a se “misturar” com o PMDB, partido conhecido pelo seu tradicional fisiologismo. Deputados e senadores, por outro lado, já estão em tratativas com interlocutores de Temer, entre eles o senador Romero Jucá (RR) e o ex-ministro Moreira Fraco.

Entre as principais pastas cotadas pelos pessebistas estão aquelas nas áreas de infraestrutura, como Cidades e Integração, ou relacionadas às questões sociais. “Nós temos uma ideia de programa. O ministério é a chance de ter uma repactuação, de tentar restaurar a credibilidade e sair da situação em que o Brasil está”, afirma o líder do PSB na Câmara, Fernando Filho (PE). Nesta quarta-feira, a bancada discutiu a participação no governo Temer e já tem quase a totalidade apoiando a adesão. “Nós demos voto favorável a essa mudança e agora temos a responsabilidade de concretizá-la. A forma mais clara de ajudar um projeto é participar dele”, disse o deputado Fábio Garcia (PSB-MT).

Já na cúpula da legenda, o discurso é outro: “A gente não quer rachar o partido. Na direção partidária, há mais restrições porque ainda não conhecemos o leque das propostas. Não tem nenhuma sinalização concreta. O Temer quer o PSB periférico ou no centro da discussão e da decisão?”, questiona o vice-presidente de Relações Governamentais, Beto Albuquerque. “A gente tem que saber para onde eles querem ir e qual papel o PSB tem que cumprir. Tomar decisões no escuro é um erro e não ajuda o governo nem a trajetória do partido”, continuou.

Michel Temer já teve reuniões, antes da aprovação do impeachment na Câmara, com o presidente do PSB, Carlos Siqueira, e também com os líderes na Câmara e no Senado. No encontro, a legenda cobrou as principais pautas de governo e o perfil do time que o peemedebista estaria escalando. E se comprometeu, também, em entregar uma agenda mínima com propostas resgatadas e atualizadas do programa do ex-candidato à presidência Eduardo Campos (PSB), morto em 2014.

Entre os principais pontos exigidos estão a diminuição da máquina do governo, a redução da taxa de juros da dívida, o estímulo da economia com obras estruturantes, como a conclusão da transposição do Rio São Francisco, e a exclusão de novas taxações, como a volta da CPMF, o imposto do cheque.

Presidência da Câmara – As negociações sobre o apoio a um eventual governo Temer também passam pela presidência da Câmara dos Deputados. A bancada vislumbra a oportunidade de chegar ao posto angariando votos de aliados do governo Dilma e do PT, que dificilmente apoiariam os candidatos do “centrão” – com a bênção do atual presidente Eduardo Cunha (PMDB-RJ), devem disputar o posto os deputados Rogério Rosso (PSD-DF) ou Jovair Arantes (PTB-GO), que comandaram a comissão do impeachment.

A ideia da legenda é conseguir unir as oposições, que também estão em avançadas conversas com Michel Temer, e lançar um candidato alternativo. O PSB se destacaria por opor-se aos nomes de Cunha ao mesmo tempo em que se colocaria como um perfil neutro. “Nós podemos representar um elo de unidade”, resume um deputado.

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