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Preocupado com troca de votos, Temer quer desfecho breve para impeachment

Gravações de Sérgio Machado, que derrubaram os agora ex-ministros Romero Jucá e Fabiano Silveira, continuam a gerar apreensão no governo do presidente interino

O ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, admitiu nesta quinta-feira, em entrevista coletiva ao lado dos ministros da Transparência e do Planejamento, que a possibilidade de mudança nos votos dos senadores no julgamento final do impeachment preocupa o presidente da República interino, Michel Temer. O governo peemedebista espera que a votação ocorra “o mais breve possível” – em cerca de sessenta dias no Senado. Temer fez questão de afagar os parlamentares publicamente com elogios à “harmonia” com que votaram matérias de interesse do governo.

“Eu penso que se nós consultássemos cada cidadão brasileiro neste momento eles diriam que ‘sim, eu quero definir isso logo, quero fazer com que a transitoriedade acabe’. Se nós fossemos consultar o governo afastado, [ele também responderia:] ‘Sim, quero a solução o mais rápido’. Por óbvio, para nós, também, ao governo do presidente Michel Temer interessa que seja o mais breve possível obedecendo às regras fixadas pelo Supremo Tribunal Federal, cujo presidente comanda o julgamento de agora até a decisão final”, afirmou o ministro no Palácio do Planalto.

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A abertura do impeachment da presidente Dilma Rousseff foi aprovada no Senado com 55 votos – mais do que os dois terços necessários para a cassação do mandato em definitivo. Porém, parte dos senadores declarou que era favorável, no momento, apenas à abertura do processo, sem ter juízo formado sobre a destituição da petista. A preocupação com a possibilidade de que eles votem em defesa de Dilma aumentou com a crise provocada pelas gravações do delator da Operação Lava Jato Sérgio Machado, que derrubou dois ministros de Temer, o senador Romero Jucá (PMDB-RR), ex-Planejamento, e o consultor jurídico do Senado Fabiano Silveira, ex-Transparência, apadrinhado pelo presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL). A estabilização da confiança na economia é outro fator que pesará na consolidação do governo Temer.

“Preocupa o governo sim, causa muita preocupação. Agora, esse é um placar que só vamos conhecer 24 horas antes. Há muitas variáveis ainda a ser consideradas. A premissa maior é a vontade da sociedade brasileira”, reconheceu Padilha.

Padilha ponderou que ainda era precoce fazer avaliações para uma votação com o peso do impeachment. “Uma hora antes da votação é quase uma eternidade. Estamos a sessenta dias dessa fase. Nós vamos ouvir muitas manifestações ainda, que em tese não estávamos esperando que acontecessem, mas há na minha visão um termo positivo na votação na Câmara e no Senado até agora e que permanece intacto, que é a vontade do povo brasileiro. Aquilo que a nação quer o Congresso acaba fazendo. Eu não tenho dúvida que não houve mudança na sociedade brasileira no que diz respeito a esse tópico.”

Padilha disse que, em tese, o governo Temer possui mais de dois terços do Senado (55 votos) e da Câmara (367 votos) e que a prova foram as aprovações do pacote de reajustes de 50 bilhões, a desvinculação de receitas da União (DRU) e da revisão da meta fiscal para um déficit de 170,5 bilhões de reais. Segundo o titular da Casa Civil, a base de sustentação do governo está “correspondendo plenamente e dando a velocidade necessária” a votações do Executivo. “Nós estamos convictos de que temos a força política para fazer as mudanças que teremos que fazer”, disse Padilha.

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