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Gilmar Mendes manda de volta à PGR segundo pedido de inquérito contra Aécio

Pedido baseado na delação de Delcídio do Amaral se referia às suspeitas de manipulação de dados do Banco Rural para esconder o mensalão mineiro da CPI dos Correios

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes enviou de volta ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, o segundo pedido de abertura de inquérito contra o senador Aécio Neves (PSDB-MG). Esta solicitação se refere a uma investigação sobre a suspeita de manipulação de dados do Banco Rural, prática que teria sido adotada para esconder o mensalão mineiro durante a CPI dos Correios, dez anos atrás. Com a decisão, Mendes quer que Janot reavalie a real necessidade de instauração do inquérito contra o tucano. O inquérito também envolve o deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP) e o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB).

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Os dois pedidos de investigação foram feitos pela PGR a partir da delação premiada do ex-senador Delcídio Amaral (sem partido – MS). O primeiro se baseia em trecho do depoimento em que o ex-petista aponta Aécio como destinatário de propina em um esquema de corrupção na hidrelétrica de Furnas. Delcídio não cita valores que teriam sido repassados ao senador tucano, mas diz que o então diretor de Engenharia de Furnas Dimas Toledo, que ocupava o cargo apoiado pelo PP e por Aécio, tinha um “vínculo muito forte” com o senador do PSDB. Neste caso, Gilmar suspendeu a execução das diligências um dia depois de autorizar a abertura do inquérito. O ministro justificou a decisão dizendo que o caso precisava ser reavaliado por Janot, diante da manifestação da defesa de Aécio, que alegou não haver elementos novos para a abertura do inquérito.

Quanto ao segundo inquérito, Aécio afirmou, por meio de sua assessoria, que as informações da delação de Delcídio em relação a sua atuação na CPI dos Correios eram “improcedentes, caluniosas e sem qualquer tipo de comprovação na realidade”. Ele apontou incongruências nas informações contidas no acordo de colaboração, como a data em que ele e Delcídio tiveram uma reunião para falar sobre a CPI dos Correios, da qual o ex-senador era presidente. “Informamos que a reunião mencionada por Delcídio, em Belo Horizonte, em que o assunto teria sido tratado, ocorreu em 7 de junho de 2006, dois meses depois de encerrados os trabalhos da CPMI dos Correios”.

O senador tucano também nega que tenha apresentado requerimento para aumentar o prazo para apresentação de informações pelo Banco Rural e afirma que o relatório final “foi feito com base em dados fornecidos também pelo Banco Central”, e não apenas pela instituição. O deputado Carlos Sampaio disse que procurou a PGR para apresentar esclarecimentos e documentações sobre o assunto. O deputado sustenta que não há motivos para ele ser investigado. Em nota, Eduardo Paes afirmou estar “à disposição da Justiça para prestar esclarecimentos sobre o episódio”.

(Com Estadão Conteúdo)

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