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Embaixador da Venezuela falta a cerimônia com Temer

Um dia após o afastamento de Dilma Rousseff, o presidente venezuelano Nicolás Maduro convocou Castellar a Caracas para prestar esclarecimentos

O embaixador da Venezuela no Brasil, Alberto Efraín Castellar Padilla, faltou nesta quarta-feira à cerimônia de entrega de cartas credenciais diplomáticas ao presidente da República interino, Michel Temer, no Palácio do Planalto, em Brasília. Segundo a assessoria de imprensa da Presidência, Castellar foi convidado previamente pelo Itamaraty para participar do ato, mas informou por via diplomática que “está doente” e se encontra em Caracas, na Venezuela.

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Num gesto de desaprovação ao governo interino, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, convocou Castellar a Caracas prestar esclarecimentos um dia depois do afastamento da presidente Dilma Rousseff, sua aliada política. Maduro classificou o impeachment como “golpe de Estado parlamentar” e uma “injustiça contra Dilma” e “uma canalhice contra sua honra e contra a democracia”.

Na ocasião, o ministro das Relações Exteriores, José Serra (PSDB), havia divulgado nota com críticas aos países bolivarianos que se insurgiram contra o impeachment de Dilma, entre eles a Venezuela.

A entrega de cartas credenciais é um ato protocolar em que os embaixadores estrangeiros levam ao presidente brasileiro a mensagem dos chefes respectivos de Estado dos países que representam. Na ocasião, o presidente da República outorga oficialmente ao embaixador o exercício das funções no país. Temer reconheceu como aptos a atuarem no Brasil nesta quarta os embaixadores de seis países: República Democrática do Congo, Namíbia, Paquistão, Iraque, Croácia e Grécia.

Do lado de fora da cerimônia, Temer foi alvo de protestos. Na Praça dos Três Poderes, militantes da Fetraf [Federação dos Trabalhadores da Agricultura Familiar] vestidos de branco promoveram um apitaço contra o peemedebista e em apoio à presidente afastada. Na segunda-feira, Dilma subiu a palanque montado em Brasília pela entidade, ligada ao PT, para fazer críticas ao governo interino.

Maduro havia designado o Castellar como embaixador no Brasil no dia 6 de outubro de 2015, mas ele não tinha ainda participado de cerimônia​ com Dilma até ter sido “chamado a consultas” de volta. Antes do Brasil, o venezuelano era embaixador na República Dominicana.

A antecessora de Castellar, María Lourdes Urbaneja Durant, entregou as credenciais a Dilma em fevereiro do ano passado. Na ocasião, Dilma reconheceu a diplomata, mesmo em meio a uma crise política interna na Venezuela com a prisão do opositor Antonio Ledezma, prefeito metropolitano de Caracas e um dos principais adversários do regime chavista. Dilma recorreu ao discurso da”não interferência em questões internas” – o mesmo que Maduro ignora em relação impeachment da petista. María Durant ficou no país até ser descolada, em outubro, para o México.

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