Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

Defesa compara caso de Santana ao de Duda Mendonça no mensalão

Preso desde fevereiro na Operação Lava Jato, marqueteiro do PT é réu por corrupção e lavagem de dinheiro. Ele recebeu em uma offshore 7,5 milhões de reais da Odebrecht e de um operador de propinas

Preso desde fevereiro em Curitiba pela Operação Lava Jato, o marqueteiro João Santana apresentou na segunda-feira ao juiz Sergio Moro sua defesa em uma das ações penais em que é réu por corrupção e lavagem de dinheiro. A peça assinada pelo advogado de Santana, Fábio Tofic, pesa o tom em ataques às investigações da Polícia Federal e à denúncia do Ministério Público contra o marqueteiro, classificadas como “realismo mágico”. Tofic também citou votos de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) que inocentaram o publicitário Duda Mendonça no mensalão, apesar do recebimento de 11,5 milhões de reais no exterior por serviços prestados à campanha do ex-presidente Lula em 2002.

No verborrágico documento em que fala em “traição freudiana”, “realismo felliniano” e Plutarco, a defesa de João Santana admite o crime de evasão de divisas por ele ter recebido 7,5 milhões de dólares no exterior através de uma offshore, a Shellbill Finance, por serviços prestados à campanha da presidente afastada Dilma Rousseff em 2014. A peça ironiza os investigadores, no entanto, afirmando que “ainda era muito pouco para eletrizar a opinião pública”.

Depois de enumerar algumas alcunhas atribuídas a Santana, como “o marqueteiro do PT” e “o Goebbels brasileiro”, o advogado reclama das acusações por corrupção e lavagem de dinheiro dizendo que “o personagem era bom demais para encenar papel tão irrelevante na trama chamada petrolão. Não dava para desperdiçar assim a figura central das campanhas petistas. Se o roteiro não o contemplava originalmente, era preciso alterar o roteiro”.

A defesa classifica João Santana como um “workaholic” e argumenta que ele “sempre teve total inapetência para assuntos administrativos e financeiros de sua empresa”, que ficavam a cargo de sua mulher, Mônica Moura, também ré na Operação Lava Jato.

Tofic afirma, então, que, apesar do “rigor ético na relação com seus clientes”, o marqueteiro do PT não sabia da origem ilegal dos repasses de duas offshores da Odebrecht e do operador de propinas Zwi Skornicki. Segundo o advogado, Santana teria motivos para, no máximo, desconfiar que os valores vinham de contratos fraudados com a Petrobras e não poderia, portanto, ser acusado de corrupção.

LEIA TAMBÉM:

Mulher de João Santana afirma que Mantega intermediou caixa 2 em 2014

Moro transfere João Santana e ex-senador para presídio em Curitiba

Por fim, a defesa de João Santana busca desconstruir a denúncia argumentando que o marqueteiro preso cometeu apenas um crime fiscal, idêntico ao de Duda Mendonça, ex-sócio de Santana absolvido no mensalão do crime de lavagem de dinheiro e sequer denunciado por corrupção. Para isso, Fábio Tofic enumera decisões dos ministros do STF Ricardo Lewandowski e Cármen Lúcia e do ex-ministro Joaquim Barbosa, aposentado em 2013.

As decisões da ministra e de Lewandoski foram citadas para rebater a acusação de corrupção. Cármen Lúcia observou sobre Mendonça que “não há qualquer prova de que a origem específica lhes teria sido revelada e não vislumbro motivo para que aos agentes das empresas de Marcos Valério e do PT revelassem esse fato”. Já o atual presidente do STF entendeu que Mendonça “não tinha nenhuma condição de saber ou adivinhar que os pagamentos recebidos por orientação do corréu Delúbio Soares teriam origem naquilo que o Ministério Público chamou de sofisticada ‘organização criminosa'”.

A citação a Barbosa, destinada a argumentar contra a denúncia por lavagem de dinheiro, evidencia trechos em que o ex-ministro afirma que “o objetivo final de Duda e Zilmar era tão somente o recebimento da dívida decorrente dos serviços publicitários que prestaram”.

Member of The Internet Defense League