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Comissão dá prazo de 20 dias para ministros de Temer se defenderem de acusações do PT

Líder do PT na Câmara, Afonso Florence, entrou com representação no colegiado questionando o voto dos parlamentares que se tornaram ministros a favor do impeachment de Dilma

A Comissão de Ética Pública da Presidência da República deu prazo de vinte dias para ministros do governo interino Michel Temer (PMDB)​ se defenderem previamente de acusações feitas pela liderança do PT na Câmara dos Deputados.

O líder do PT na Câmara, Afonso Florence (BA), acusa os ministros que eram parlamentares e votaram favoravelmente ao impeachment de terem se beneficiado diretamente do afastamento de Dilma Rousseff. Os alvos são Blairo Maggi (Agricultura, Pecuária e Abastecimento), José Serra (Relações Exteriores), Bruno Araújo (Cidades), Maurício Quintella (Transportes, Portos e Aviação Civil), Mendonça Filho ( Educação), Osmar Terra (Desenvolvimento Social e Agrário), Ricardo Barros (Saúde), José Sarney Filho (Meio Ambiente), Fernando Coelho Filho (Minas e Energia) e Ronaldo Nogueira (Trabalho).

Ao todo, a comissão recebeu três representações contra os ministros de Temer, todas com base no Código de Conduta da Alta Administração Federal. O presidente do colegiado, Mauro de Azevedo Menezes, disse nesta terça-feira que o procedimento é uma praxe antes que a comissão analise cada denúncia. Ele considera que o processo está aberto, mas pondera que a aceitação da denúncia, no âmbito da comissão, equivale a chancelar a procedência das acusações, o que ainda não ocorreu.

Depois de receber as respostas, a comissão designará um relator para analisar as representações. A próxima reunião será no dia 27 de junho.

A comissão também pediu esclarecimentos a Serra por causa das correspondências diplomáticas que soltou às embaixadas dando orientação em repúdio a países bolivarianos que não reconheceram o governo Temer e, repetindo o discurso petista, apontaram violação da democracia no impeachment.

O ex-ministro José Eduardo Cardozo, defensor da presidente afastada Dilma Rousseff no processo de impeachment, também denunciou seu sucessor na Advocacia-Geral da União (AGU), Fabio Medina Osório. Osório abriu uma sindicância contra Cardozo por ele ter repetido o discurso do “golpe de Estado” na defesa de Dilma. O advogado de Cardozo, Marco Aurélio Garcia, diz que Osório faz uso político do cargo contra Cardozo e pede uma sanção pública, além de recomendação para que ele seja demitido.

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