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André Esteves pede arquivamento de inquérito da Lava Jato

Nestor Cerveró disse, em acordo de colaboração premiada, que o banqueiro pagou propina ao senador Fernando Collor

A defesa do banqueiro André Esteves, ex-CEO do BTG Pactual, apresentou ao Supremo Tribunal Federal (STF) pedido de arquivamento do inquérito em que ele é citado em possíveis irregularidades relacionadas ao embandeiramento dos postos BR. O caso foi mencionado em delação premiada do senador cassado Delcídio do Amaral (ex-PT-MS). Segundo Delcídio, o banqueiro não gostaria de estar envolvido em investigações porque, mesmo não tendo cometido ilícitos, isso poderia trazer danos à sua imagem.

A defesa de Esteves afirma que o Ministério Público pediu ao STF que fosse enviado a Sergio Moro parte da delação premiada do senador cassado Delcídio do Amaral para que fossem apuradas em Curitiba irregularidades relacionadas ao embandeiramento dos postos do grupo empresarial de Carlos Santiago e André Esteves. Os advogados contestam até a existência do “grupo empresarial de Carlos Santiago e André Esteves”, dizem que não existem mais diligências a serem feitas contra o banqueiro e afirmam que o nome dele foi citado nas conversas gravadas entre Delcídio e Bernardo Cerveró, filho do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró, “em uma tentativa retórica de enredar o peticionário em trama da qual sabidamente nunca participou e que já foi, na verdade, minuciosamente investigada sem que o requerente fosse sequer referenciado pelas pessoas que poderiam conhecer os fatos mencionados pelo delator”.

“O grupo empresarial de Carlos Santiago e André Esteves levianamente reportado pelo senador Delcídio do Amaral nunca existiu: o requerente jamais integrou a diretoria ou o conselho de administração da mencionada rede de postos, nunca manteve qualquer contato com diretores da BR Distribuidora ou com quaisquer políticos supostamente envolvidos no caso e tampouco chegou sequer a visitar a sede de qualquer dessas empresas”, completa a defesa. Se o inquérito não for arquivado, os advogados pleiteiam que o caso se mantenha no STF e não seja enviado ao juiz Sergio Moro.

Também delator da Operação Lava Jato, o ex-diretor da área internacional da Petrobras Nestor Cerveró disse, em acordo de colaboração premiada, que o banqueiro André Esteves pagou propina ao senador Fernando Collor (PTC-AL) em um contrato de embandeiramento de 120 postos de combustíveis em São Paulo. “Nestor Cerveró descreve a prática de crime de corrupção ativa por André Esteves, por meio do Banco BTG Pactual, consistente no pagamento de vantagem indevida ao Senador Fernando Collor, no âmbito de contrato de embandeiramento de 120 postos de combustíveis em São Paulo, que pertenciam conjuntamente ao Banco BTG Pactual e a grupo empresarial denominado Grupo Santiago”, diz trecho de documento da procuradoria-geral da República.

O nome do banqueiro André Esteves apareceu também em depoimento do doleiro Alberto Youssef. A exemplo de Cerveró, Youssef disse às autoridades que recebeu a informação de que a compra da rede de postos de gasolina Derivados do Brasil (DVBR) teria sido consolidada após pagamento de propina a operadores da BR Distribuidora, subsidiária da Petrobras. A transação teria contado com atuação direta de Pedro Paulo Leoni Ramos, o PP, ex-ministro do governo Fernando Collor.

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