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Mazolinha, o garçom de um gol histórico, virou estrela

O polêmico atacante teve um papel único em uma das maiores conquistas da história do Botafogo. Infelizmente, o sucesso nos campos não se perpetuou e refletiu muito em sua vida fora deles

Vágner Aparecido Nunes nasceu em Santa Bárbara D’Oeste, cidade paulista próxima a Campinas, em 3 de abril de 1959. Começou no futebol ainda muito jovem, com cerca de 16 anos de idade, e logo conheceu o lado mais obscuro do esporte.
Conforme confessou em entrevista dada a Placar em 1987, que rendeu ao jornalista Carlos Orletti, o Prêmio ESSO de Jornalismo, na categoria Informação Esportiva, começou a se dopar para jogar futebol quando ainda tinha 16 anos. A coragem demonstrada ao fazer essa revelação serve para demonstrar a forte personalidade de Mazolinha, nome que passou a adotar desde os primeiros anos atuando no União Agrícola Barbarense. Atacante habilidoso, muito voluntarioso e certeiro em seus cruzamentos, ganhou maior destaque no futebol quando defendeu o Rio Branco do Espírito Santo, no Campeonato Brasileiro de 1986.
Não demorou muito para que ganhasse uma oportunidade em outro alvinegro, o Botafogo do Rio de Janeiro, que vivia seu pior momento da história com um jejum de 21 anos sem títulos. Ainda que não tenha conseguido se firmar como titular da equipe, quis o destino que, em 21 de junho de 1989, na final do campeonato carioca daquele ano diante do Flamengo, Mazolinha tivesse um papel tão importante. Após ficar o primeiro tempo no banco de reservas, entrou em campo já no começo da etapa complementar com a incumbência específica do técnico Valdir Espinosa de acionar mais o atacante Maurício. Seguiu à risca esta orientação e, logo aos 12 minutos do segundo tempo, fez um cruzamento perfeito para o gol do número 7 botafoguense, o tento que decidiu o título para o Botafogo em um dos momentos mais importantes da história do clube da estrela solitária. Aquela assistência poderia ter sido marcante para sua carreira. Não foi. Logo em seguida, foi cedido para o Avaí, onde também não se firmou.
Perdeu dinheiro em investimentos e gastos desnecessários. Virou sacoleiro, fez outros bicos, até se tornar pedreiro, atividade que garantiu seu sustento nos últimos anos. Faleceu no dia 5 de setembro, vítima de um infarto.