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Turquia toma controle de principal jornal crítico ao governo

A administração turca acusa o jornal 'Zaman' de ter laços com o clérigo islâmico Fetullah Gülen, acusado de terrorismo pelo presidente Recep Tayyip Erdogan

O governo islamita da Turquia assumiu nesta sexta-feira o controle do jornal Zaman, o maior do país, crítico ao poder e próximo ao clérigo islâmico Fetullah Gülen, acusado de terrorismo pelo presidente turco Recep Tayyip Erdogan. A pedido da promotoria de Istambul, um tribunal nomeou um administrador público para assumir o controle da gestão do jornal, informou a agência de notícia Anadolu.

O grupo de comunicação Zaman, ao qual pertence também a agência de notícias Cihan, é próximo a Gülen, um pregador islâmico exilado nos Estados Unidos, antigo aliado de Erdogan que se converteu em seu principal desafeto. O Zaman, que tem também uma versão em inglês (Today’s Zaman), é o jornal de maior circulação da Turquia, com 650.000 exemplares diários, quase o dobro do seguinte periódico, Hurriyet, que tem uma tiragem de 350.000.

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O atual partido no poder, o Justiça e Desenvolvimento (AKP, na sigla em turco), fundado por Erdogan, acusa Gülen e seus seguidores de ter minado todas as esferas do Estado turco, como a Justiça e a polícia, para criar o que chama de um “Estado paralelo”. Outros veículos de comunicação – dois jornais e duas televisões – também acusados de serem próximos a Gülen e postos sob intervenção pública no ano passado, foram fechados há quatro dias.

Abdülhamit Bilici, diretor do jornal Zaman, afirmou hoje que a nomeação do administrador viola a Constituição turca. “Peço a todos com bom senso e noção democrática que defendam a liberdade e o jornal”, declarou o jornalista em uma primeira reação. A ONG Anistia Internacional criticou em comunicado o “contínuo ataque” contra os veículos de imprensa críticos ao governo turco. “Veículos de imprensa livres, junto com o Estado de Direito e uma Justiça independente, são os pilares das liberdades internacionalmente garantidas às quais todos têm direito na Turquia”.

(Com agência EFE)

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