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Trump vai declarar emergência nacional para levantar muro na fronteira

Democratas ameaçam rejeitar decreto na Câmara dos Deputados; Senado não tem os votos necessários para aprová-lo

Em um movimento temerário, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deverá assinar decreto de emergência nacional para tentar driblar o Congresso e construir o muro de 1.600 quilômetros na fronteira com o México. Adicionalmente, ele decidiu assinar o acordo fechado por democratas e republicanos nesta semana como meio de evitar um novo período de paralisia do governo federal por falta de orçamento.

“O presidente Trump assinará a lei de financiamento do governo (federal), como ele já declarou antes, e ele vai também tomar outra ação executiva, incluindo a emergência nacional, para garantir o fim das crises de segurança nacional e humanitária na fronteira”, declarou a secretário de imprensa da Casa Branca, Sarah Huckabee Sanders.

“O presidente assinará o acordo. Nós vamos votá-lo logo”, anunciou Mitch McConnell, líder da maioria republicana no Senado, no plenário, segundo o jornal The Washington Post.

Pelo Twitter, Trump limitou-se a escrever que está revendo os cálculos de financiamento do muro com sua equipe na Casa Branca.

A decisão de Trump de assinar o acordo tranquiliza a população do país, que vivera 35 dias de paralisia do governo federal e corria o risco de ver  dose se repetir. Mais de 800.000 funcionários públicos federais ficaram sem os seus salários, pagos semanalmente, naquele período. Parques, instituições e agências federais funcionaram parcialmente ou foram fechados. os americanos dependentes de subsídios para a alimentação e ajuda para o aluguel ficaram sem receber os benefícios.

A paralisia foi provocada pela disputa entre Trump e a bancada democrata, majoritária na Câmara dos Deputados, em torno da construção dos 1.600 quilômetros de muro na fronteira com o México. Diante da rejeição da oposição em aprovar o financiamento de 5,7 bilhões de dólares para o muro, Trump recusou-se a assinar a lei orçamentária para este ano.

O impasse foi suspenso por uma trégua que acaba às 24h desta quinta-feira. Na última terça-feira, as duas bancadas do Congresso propuseram ceder parcialmente e incluir no orçamento a construção dos 88 quilômetros de muro ao custo de 1,37 bilhão de dólares. Trump disse que “não gostara” da solução, mas a avaliaria.

A construção do muro na fronteira com o México foi uma das principais promessas da campanha de Trump em 2016. Uma vez levantado, será seu principal trunfo para as eleições de 2020, nas quais já é candidato.

A briga entre os democratas e Trump, porém, está longe de terminar. Segundo o jornal The Washington Post, a presidente da Câmara, Nancy Pelosi, o acusou de driblar o Congresso e avisou os republicanos que um futuro presidente do partido democrata pode fazer o mesmo.  “O muro não é uma necessidade para o país”, insistiu ela.

O líder da minoria democrata no Senado, Charles Schumer acusou Trump de tentar desviar a atenção do público sobre o não cumprimento de sua promessa de fazer o México pagar pelo muro.

Com o risco de nova paralisia do governo federal afastado, os democratas poderão impedir a aprovação do decreto de emergência nacional pelo plenário da Câmara. Com isso, McConnell será obrigada a levar o decreto a votação no Senado, onde não tem segurança de aprovação, mesmo com a maioria republicana. O senador já havia avisado Trump sobre esse cenário, segundo o Washington Post.

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