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Tentativa de golpe termina com prisão de militares no Gabão

Rebeldes diziam querer 'restaurar a democracia' no país africano, liderado pela mesma família há 50 anos. Segundo governo, situação está sob controle

Por Da redação - 7 jan 2019, 10h30

Soldados do Gabão foram responsáveis por uma tentativa frustrada de golpe de Estado na madrugada desta segunda-feira, 7. Depois de tomar o controle da estação de rádio nacional, os militares anunciaram a criação de um “conselho de restauração” da democracia contra a família Bongo, que já controla o país há cinquenta anos.

Algumas horas depois, o ministro do Interior, Guy-Bertrand Mapangou, anunciou a agências internacionais que quatro dos cinco mentores do golpe já haviam sido presos e a situação, controlada.

Em um vídeo circulando nas redes sociais, três jovens podem ser vistos dentro do estúdio da rádio usando uniformes militares e carregando armas. Os insurgentes convocaram as Forças Armadas para tomar o controle do transporte público, munição e aeroportos “pelo bem dos interesses da nação.”

Cerca de 300 pessoas se reuniram em frente a emissora em apoio ao golpe, mas forças do governo usaram gás de pimenta para dispersar a aglomeração.

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O Gabão é o quarto país mais rico do continente africano, conhecido por suas grandes reservas de petróleo e também pela desigualdade social. O Estado é governado por Ali Bongo, que desde outubro exerce suas funções à distância, depois de sofrer um derrame e buscar tratamento no Marrocos. Em seu comunicado na rádio, os militares criticaram o presidente.

Segundo o Tenente Kelly Ondo Obiang, líder do movimento responsável pela rebelião, em seu primeiro pronunciamento desde o afastamento, feito no Ano Novo, Bongo “reforçou as dúvidas sobre sua habilidade para cumprir com as responsabilidades do cargo”.

“Mais uma vez, os detentores do poder continuam a instrumentalizar a pessoa Ali Bongo Ondimba, um paciente desprovido de muitas de suas faculdades físicas e mentais”, completou Ondo Obiang.

O atual presidente sucedeu a seu pai, Omar, que estava no poder desde 1967, em 2009. Sua reeleição em 2016 teve uma margem apertada de votos, sob acusações de fraude e uso de violência.

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Segundo a BBC, a tentativa de golpe pegou o governo de surpresa, já que o Exército sempre foi visto como aliado da família Bongo, com a maior parte de seu contingente vindo da mesma região que o governante.

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