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Suspeito de ataques em Paris, Abdeslam se recusa a falar em primeira audiência na França

O terrorista se queixou das condições de vigilância às quais está submetido na prisão, onde sua cela é filmada de forma ininterrupta

O suspeito de envolvimento nos ataques do ano passado em Paris Salah Abdeslam se apresentou ao principal tribunal de Paris nesta sexta-feira para sua primeira audiência perante juízes franceses, mas se recusou a falar. A sessão judicial foi breve, após se tornar claro que ele ficaria em silêncio até o final.

Segundo a promotoria de Paris, o jihadista recorreu a seu direto ao silêncio, negando-se a responder as perguntas dos juízes. “Ele também se recusou a informar as razões que o levam a utilizar o direito ao silêncio. Da mesma maneira, se recusou a confirmar as declarações que havia feito anteriormente aos policiais e aos juízes de instrução belgas”, completou a promotoria.

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Um dos advogados de Abdeslam disse no mês passado que o homem nascido na Bélgica com nacionalidade francesa estava disposto a colaborar com as autoridades francesas e iria falar na audiência, o que não se concretizou. Nessa sexta-feira, o advogado Frank Berton explicou aos veículos de imprensa no Palácio de Justiça de Paris que uma das razões da recusa de seu cliente em responder às perguntas do instrutor era que o suposto terrorista estava “particularmente perturbado” pelas condições de vídeo-vigilância a qual está submetido.

Transferido da Bélgica para a França em 27 de abril, ele está preso em cela solitária em uma prisão de segurança máxima em Fleury-Merogis, região de Paris, com sua cela monitorada por circuito interno de TV. Berton afirmou também que tem intenção de escrever ao ministro da Justiça para que modifique o dispositivo de vigilância, que a seu parecer é “ilegal”.

Os investigadores acreditam que Abdeslam é o único sobrevivente do grupo de militantes islâmicos que matou 130 pessoas em uma série de ataques a tiros e bombas em 13 de novembro em Paris. Com 26 anos de idade, era o fugitivo mais procurado da Europa até sua captura em Bruxelas em 18 de março, após quatro meses de buscas.

(Da redação com Reuters e EFE)

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