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Parlamento britânico descarta novamente alternativas para Brexit

Legisladores não mostraram apoio à manutenção de um acordo alfandegário com a UE, a um mercado único, a uma nova votação popular, nem ao cancelamento

Por EFE - 1 abr 2019, 21h18

O Parlamento do Reino Unido voltou a descartar as quatro alternativas apresentadas ao Brexit em uma votação realizada nesta segunda-feira, 1º. Os legisladores não mostraram apoio à manutenção de um acordo alfandegário com a União Europeia (UE), a um mercado único, a uma segunda votação popular sobre o tema, nem ao próprio cancelamento do Brexit.

Com isso, segue o impasse em relação ao tema. A previsão atual é que a saída do Reino Unido da UE ocorra em 12 de abril.

A opção que reuniu mais apoios 280 votos a favor e 292 contra era a que pedia ao governo da primeira-ministra, Theresa May, que, caso o Parlamento aprove um acordo de saída da União Europeia, seja ratificado pelos britânicos em um referendo.

Essa foi a segunda vez em menos de uma semana que o Parlamento não fechou um acordo para desbloquear a crise que se tornou a saída do país do bloco continental.

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A opção que sugeria ao governo negociar uma união aduaneira permanente com a União Europeia foi rejeitada por 276 votos contra e 273 a favor. Já a que pedia para cancelar o Brexit se ele tivesse de acontecer sem um acordo com o bloco recebeu 191 votos favoráveis e 292 contrários.

A quarta alternativa, a chamada “Mercado comum 2.0” e conhecida informalmente como “Noruega Plus”, teve 261 votos a favor e 282 votos contra. Esta última era a opção favorita a uma aprovação após o Partido Trabalhista divulgar que a apoiaria de forma oficial.

O resultado ruim da votação desta segunda-feira, que evidencia a incapacidade do Parlamento de pactuar uma solução para a crise do Brexit, reforça a intenção de May de voltar a submeter seu acordo à votação pela quarta vez.

Ao saber do ocorrido, o ministro do Brexit, Stephen Barclay, disse que os parlamentares ainda têm a oportunidade de evitar uma saída abrupta do país da UE no próximo dia 12, assim como a participação nas eleições para o Parlamento Europeu em maio, se respaldarem nesta semana o acordo de saída selado entre Londres e Bruxelas.

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A Câmara dos Comuns rejeitou em três ocasiões esse tratado, embora em cada uma das convocações a margem da derrota tenha diminuído e passado de 230 votos em janeiro para 58 na última sexta-feira. A medida deixou a primeira-ministra enfrentando uma grave crise envolvendo o Brexit, a mudança de política mais abrangente do Reino Unido desde a Segunda Guerra Mundial.

Seu governo e seu Partido Conservador, que tem tentado conter uma separação da Europa há trinta anos, estão agora divididos entre aqueles que exigem que May garanta uma ruptura decisiva do bloco e aqueles que exigem que ela descarte tal possibilidade.

Se May apoiar qualquer um dos lados, ela arrisca dividir o seu partido e derrubar seu próprio governo. Alguns parlamentares conservadores têm advertido que vão apoiar uma moção de desconfiança se ela aceitar pedidos por um Brexit que mantenha muitos dos laços econômicos próximos existentes atualmente com a UE.

Espetáculo lamentável

Frustrado pela incapacidade dos deputados de seu Partido Conservador de fazer concessões para tirar o país do caos, o conservador Nick Boles, um dos artífices das infrutíferas “votações indicativas”, anunciou com lágrimas nos olhos que estava abandonando o grupo parlamentar.

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O conselho de ministros se reunirá nesta terça-feira, 2, para discutir o resultado dessa votação para decidir se acredita que seja possível convocar na quarta ou quinta-feira uma nova votação do impopular acordo negociado com Bruxelas, que os parlamentares já rejeitaram três vezes: na sexta-feira passada, em 12 de março e em 15 de janeiro.

O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, afirmou no domingo que a União Europeia tem “muita paciência com nossos amigos britânicos, mas a paciência está se esgotando”. “Eu gostaria que dentro de algumas horas ou de alguns dias o Reino Unido chegasse a um acordo sobre os passos a seguir”.

“Até agora sabemos para o que o Parlamento britânico diz não, mas não sabemos para o que diz sim”, acrescentou.

Sobre a possibilidade de um novo referendo, Juncker considerou que essa questão “diz respeito exclusivamente aos britânicos […] Devem decidir quais instrumentos empregarão para terminar este processo”.

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Com Estadão Conteúdo, AFP e Reuters

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