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Panama Papers revelam operações obscuras no mercado de arte

Empresas localizadas em paraísos fiscais são proprietárias de obras de arte que foram confiscadas de famílias judias pelos nazistas, apontam os documentos

Por Da Redação - 8 abr 2016, 08h14

Novas publicações dos Panama Papers revelaram operações obscuras no mercado de obras de arte, que em alguns casos afetam litígios em andamento pela propriedade de trabalhos desaparecidos de artistas como Van Gogh, Picasso, Rembrandt e Modigliani. De acordo com o Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (ICIJ, na sigla em inglês), os papéis lançaram luz, por exemplo, sobre o possível paradeiro da obra desaparecida de Amadeo Modigliani “Homem sentado com um bastão”.

A pintura do artista italiano, avaliada em cerca de 25 milhões de dólares (quase 100 milhões de reais), está desaparecida há décadas, desde que os nazistas a confiscaram de seu proprietário judeu. No entanto, seu legítimo herdeiro suspeita que o quadro esteja nas mãos da família Nahmad, uma das mais poderosas do mundo da arte. Depois que uma investigação privada indicou que os Nahmad, uma família de origem sírio-libanesa, obtiveram a obra em um leilão em 1996, o neto do judeu que teve a obra confiscada apresentou um processo que ainda está em andamento.

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Nos tribunais, a família Nahmad sempre alegou que não possui esse quadro de Modigliani, mas os Panama Papers revelam que ela controla a companhia offshore International Art Center, que possui a pintura do artista italiano. Segundo os documentos David Nahmad, o rosto mais conhecido da família, é o único proprietário da empresa desde 2014, mas os Nahmad a controlaram durante 20 anos. Além dos Nahmad, entre os documentos também aparecem os nomes da família grega Goulandris, que se encontra no centro de uma batalha legal sobre o paradeiro de 83 obras de arte desaparecidas.

O escândalo dos Panama Papers explodiu com o vazamento de mais de 11,5 milhões de documentos do escritório de advocacia panamenho Mossack Fonseca, especializado na gestão de capitais em paraísos fiscais, que envolve mais de 140 políticos e funcionários do alto escalão de governos de todo o planeta, além de celebridades, esportistas, cineastas, escritores e proprietários de obras de arte.

(Com agência EFE)

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