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Líder ianomani é premiado com 'Nobel Alternativo' por sua ação na Amazônia

Davi Kopenawa acusa Jair Bolsonaro de governo de querer explorar colonizar as reservas indígenas; Greta Thunberg também é laureada

Por Da Redação - 25 set 2019, 18h11

O líder ianomami Davi Kopenawa, conhecido por denunciar o garimpo ilegal nas terras de sua tribo, em Roraima, está entre os quatro ganhadores Right Livelihood 2019, uma premiação sueca alternativa ao Nobel. O anúncio deu-se nesta quarta-feira, 25, e foi justificada pela “corajosa determinação de Kopenawa em proteger as florestas e a biodiversidade da Amazônia, e as terras e a cultura de seus povos indígenas”. A ativista do clima Greta Thunberg também foi uma das premiadas.

“É resultado da luta durante mais de 20 anos. Foi uma energia muito boa para continuar protegendo e preservando a natureza e nosso povo”, disse Kopenawa, fundador e presidente da Hutukara Associação Ianomami.

O anúncio do prêmio veio no dia seguinte do discurso na Organização das Nações Unidas (ONU) do presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, que reiterou sua posição contrária à ampliação das terras indígenas demarcadas e de autorizar a exploração econômica das reservas. Bolsonaro mencionou especificamente as riquezas na área ianomami.

“Não tenho medo dele (do Bolsonaro). Estou preocupado pelo estrago que ele pode causar. Estou preocupado com a destruição do rio, com a morte dos peixes, que prejudiquem nossa saúde, que derrubem a floresta”, alertou Kopenawa.

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“O governo de Bolsonaro quer explorar e colonizar a terra ianomami, ele quer permitir mineração na terra ianomami e na Raposa Serra do Sol. A mineração não trará nada de bom para o povo ianomami”, acrescentou.

Kopenawa foi premiado pela ONU com o prêmio Global 500, em 1989, por seus esforços em favor da preservação ambiental. Em 2010, escreveu A queda do céu, livro que trata os esforços dos ianomami  contra a invasão de suas terras, que foram epicentro da mineração ilegal nos anos 1980.

A ativista Greta Thunberg, de 16 anos, conquistou o prêmio “por inspirar e ampliar as demandas políticas por urgente ação climática que reflete fatos científicos”.

Na segunda-feira 23, a jovem ativista acusou líderes mundiais de não terem enfrentado as mudanças climáticas, em um discurso no início da Cúpula da Ação Climática da ONU.

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Thunberg iniciou solitários protestos semanais do lado de fora do Parlamento da Suécia há um ano. Inspirados por ela, milhões de jovens foram às ruas ao redor do mundo na sexta-feira 20 para pedir que os governos adotem atitudes emergenciais.

O prêmio Right Livelihood foi criado em 1980 pelo germânico-sueco Jakob von Uexkull, um eurodeputado ecologista, após a recusa da fundação Nobel de criar um prêmio para o meio ambiente e o desenvolvimento. Por isso, a fundação que o oferece o considera um Nobel alternativo.

(Com Reuters e AFP)

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