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EUA entregam à Argentina 43.000 documentos sobre a ditadura

Documentos trazem nomes de repressores e vítimas e confirmam cooperação dos americanos com os regimes militares na América do Sul

O governo dos Estados Unidos entregou às autoridades da Argentina mais de 43.000 páginas de documentos sobre a ditadura militar do país sul-americano, que antes estavam protegidos pela confidencialidade. A quebra do sigilo, feita a pedido do presidente argentino, Mauricio Macri, durante o governo de Barack Obama, é a maior do tipo já registrada na história americana.

O arquivista do governo americano, David Ferriero, entregou os documentos ao ministro da Justiça argentino, Germán Garavano, durante sua visita a Washington. Segundo o jornal Clarín, alguns documentos registram o nome dos agentes da repressão e das suas vítimas.

“É um fato histórico. Essas informações vão permitir que os processos judiciais continuem avançando”, afirmou Garavano, visivelmente emocionado ao receber uma caixa com o selo dos Estados Unidos na tampa que trazia seis CDs.

A ditadura argentina, comandada por uma junta militar, perdurou de 1976 a 1983 e deixou cerca de 30.000 desaparecidos políticos e sequestrou pelo menos 500 bebês nascidos nas masmorras. Os episódios de violência do período traumatizam até hoje a sociedade da Argentina, que nos anos 2000 reviu os processos dos militares e seus colaboradores e condenou à prisão os líderes dos governos e da repressão.

Entidades como as Mães e as Avós da Praça de Maio ainda hoje atuam para identificar o paradeiro de seus filhos desaparecidos e de seus netos sequestrados nas masmorras do regime e entregues a outras famílias.

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A quebra do sigilo desses documentos é o estágio final de uma iniciativa do governo dos Estados Unidos para publicar os arquivos relacionados às violações de direitos humanos ocorridas na Argentina durante o regime militar. Este projeto de grande escala, idealizado pelo governo argentino, envolve quinze agências de inteligência, de defesa e polícia.

Para este projeto de abertura dos arquivos, 25 funcionários dedicaram mais de 1.300 horas para identificar e revisar os documentos que pudessem ser relevantes. Em 2002, o governo dos Estados Unidos divulgara mais de 4.000 telegramas diplomáticos e outros documentos que comprovaram o respaldo das autoridades americanas à repressão dos regimes militares sul-americanos. Obama iniciou uma segunda operação para remover a tarja de confidencialidade de mais de mil páginas de documentos, que foram publicadas em 2016.

O presidente americano, Donald Trump, surpreendeu ao enviar uma carta para a cerimônia de entrega dos CDs. “Meu desejo é que o acesso a estes documentos possa oferecer aos argentinos informações sobre o que aconteceu”, afirmou.

Segundo o Clarín, o diretor de Cone Sul do Arquivo de Segurança Nacional dos Estados Unidos, Carlos Osorio, alguns documentos trazem os nomes dos agentes da repressão e de suas vítimas. “Eles darão a muitos familiares a única evidência que nunca tiveram”, afirmou.

Os documentos já estão disponíveis ao público na página intel.gov/argentina.

(Com AFP)

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