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Em 2 semanas, Netanyahu e seu advogado são indiciados por corrupção

David Shimron é acusado de lavagem de dinheiro em caso que envolve o segundo mandato de Netanyahu como primeiro-ministro

Por Da Redação - 5 dez 2019, 17h18

O procurador-geral de Israel, Avichai Mandelblit — que indiciara o premiê Benjamin Netanyahu no final de novembro por três casos diferentes de corrupção —, anunciou nesta quinta-feira, 5, que o advogado do premiê também será processado. David Shimron é acusado de lavagem de dinheiro no “Caso dos Submarinos”.

O escândalo envolve a compra de quatro navios lança-mísseis em 2015 por 430 milhões de euros (2 bilhões de reais, em valores atuais) e de três submarinos em 2017 por 1,5 bilhão de euros (7 bilhões de reais); ambos foram fabricados pela companhia alemã Thyssenkrupp.

Após a emissora israelense Canal 10 denunciar, no final de 2016, irregularidade nas negociações entre os alemães e o governo de Israel — já encabeçado por Netanyahu e seu partido de direita, o Likud —, a polícia de Israel abriu investigação criminal sobre o caso.

De acordo com reportagem da emissora, o conselheiro do Ministério da Defesa, Ahaz Ben Ari, disse que Shimron telefonara pedindo para que ele favorecesse, a pedido de Netanyahu, a Thyssenkrupp no processo de negociação da compra das embarcações.

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Em 2018, quando a polícia israelense concluiu as investigações, as autoridades aconselharam o indiciamento de Shimron por mediação de suborno. A Procuradoria, no final, optou por acusá-lo apenas por lavagem de dinheiro.

Também foram indiciados o empresário Miki Ganor, então representante da Thyssenkrupp em Israel, e Eliezer Marom, ex-comandante da Marinha israelense. Ambos responderão por suborno.

Acusações contra Netanyahu

No dia 21 de novembro, o procurador Avichai Mandelblit indiciou o líder do Likud por “suborno”, “fraude” e “quebra de confiança” em três escândalos diferentes, que não estão relacionados diretamente ao Caso dos Submarinos. 

No mais grave deles, o premiê é acusado de, enquanto ministro da comunicação, ter adotado medidas regulatórias para beneficiar o magnata Shaul Elovitch, dono da companhia de telecomunicações Bezeq, em troca de uma cobertura de notícias favorável a ele no site Walla News.

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Na transação, Elovitch faturou cerca de 500 milhões de dólares para pressionar seus editores a atender as demandas de Netanyahu.

 

Esta é a primeira vez que um premiê de Israel é acusado de suborno. Os casos têm consequências políticas para o país. Líder do partido Azul e Branco, que elegeu a maior bancada do parlamento israelense nas eleições de setembro (33 de 120 assentos), Benny Gantz rejeita formar uma coalizão com os 32 parlamentares do Likud enquanto Netanyahu for o líder da legenda e alvo de investigações por corrupção.

Atualmente, o país vive um impasse eleitoral. Desde a fundação do Estado de Israel, em 1948, está é a primeira vez que nenhum dos dois primeiros líderes partidários (Netanyahu e Gantz) fracassam na tarefa de formar um governo.

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Netanyahu pode encarar 10 anos de prisão se for condenado por suborno e uma pena máxima de três anos por fraude e quebra de confiança.

(Com AFP)

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