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‘Dentista do mal’ começa a ser julgado na França

Um holandês que ficou conhecido como “dentista do mal” começou a ser julgado nesta semana em Nevers, região central da França. Jacobus Van Nierop, de 51 anos, é acusado de ter mutilado e enganado mais de uma centena de pacientes entre 2008 e 2012. Se condenado, ele pode ser sentenciado a 10 anos de prisão e pagar 150.000 euros (ceca de 615.000 reais) de multa.

Van Nierop começou a atender pacientes em 2008 em Château-Chinon, uma zona rural do centro-leste da França, onde os profissionais de saúde são cada vez mais raros. A princípio, o sorridente dentista ganhou a simpatia da população local, mas as histórias de horror não demoraram a aparecer.

Os pacientes começaram a ter dentes arrancados sem nenhum motivo – eles recebiam anestésico pesado – e ficavam com abscessos e infecções nas gengivas. Preenchimentos de obturações era substituídos por componentes mais caros sem necessidade, e alguns pacientes relataram que suas bocas sangravam por vários dias após as consultas.

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A aposentada Sylviane Boulesteix, 65 anos, contou à agência de notícias France-Presse (AFP) que foi a uma consulta com o holandês em março de 2012 para a colocação de um aparelho dentário. “Ele me deu de sete a oito injeções, arrancou oito dentes de uma vez e colocou o aparelho sem anestesia. Eu urinei sangue durante três dias”, afirmou. Outra vítima, um idoso de 80 anos, disse à AFP que o dentista deixou “pedaços de carne pendurados em todos os lugares” após a remoção de um dente

Nicole Martin, professora aposentada, formou um grupo de vítimas do dentista para prestar uma queixa contra o profissional – o coletivo contabilizou 120 pessoas.

Em 7 de junho de 2013, o dentista foi acusado e colocado sob controle judicial com a proibição de deixar o território francês. Em dezembro daquele ano, porém, ele fugiu para o Canadá, onde foi interpelado em setembro de 2014, quando tentou se matar.

Os debates no tribunal começaram na terça-feira com uma análise da personalidade do dentista, acusado de mutilações, fraude e falsificação de documentos. Segundo o relatório de uma equipe especializada apresentado ao tribunal, o acusado sofre de uma “patologia narcisista” que o faz perder “todo o senso moral”. Outro especialista ressaltou, no entanto, que o réu “tinha perfeita consciência de seus atos”.

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(Da redação)

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