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Declaração de Macron sobre Otan foi ‘muito ofensiva’, diz Trump

Em Londres para reunião de cúpula da organização, presidente americano voltou a exigir que a Europa pague mais pela defesa da Otan

Por Da Redação - 3 dez 2019, 10h24

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, considerou nesta terça-feira, 3, “muito ofensiva” a declaração do líder francês, Emmanuel Macron, sobre a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

Em uma entrevista à revista The Economist em novembro, Macron afirmou que a Otan está em “estado de morte cerebral” pela falta de coordenação estratégica entre aliados europeus, de um lado, e de Estados Unidos e Turquia, de outro.

Além disso, o francês criticou e chamou de “louca” a invasão da Turquia aos territórios curdos na Síria em outubro, para combater o Estado Islâmico (EI) e o Exército de Proteção Popular (YPG). A ação de Ancara ocorreu dois dias após o início da retirada de tropas americanas da região, ordenada por Trump.

“Acho muito ofensivo”, declarou Trump durante coletiva de imprensa com o secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, antes do início da cúpula do 70º aniversário da organização em Londres.

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“Ninguém precisa mais da Otan do que a França. É uma declaração muito perigosa para eles”, disse. “Eles têm uma taxa de desemprego muito alta na França. A França não está indo bem economicamente”, acrescentou.

Trump se encontrará com Emmanuel Macron nesta terça para discutir com o presidente francês as queixas contra a organização.

Sublinhando o tamanho da desavença no bloco transatlântico, louvado por seus apoiadores como a aliança militar mais bem-sucedida da história, Trump voltou a exigir que a Europa pague mais pela defesa e que também faça concessões a interesses comerciais dos Estados Unidos.

Ligando explicitamente sua queixa de que a Europa não paga o suficiente pelas missões de segurança da Otan à sua defesa firme dos interesses comerciais de Washington, parte de sua política “América Primeiro”, Trump disse que é hora de o continente “tomar jeito” nas duas frentes.

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“Não é certo ser abusado na Otan e também ser abusado no comércio, e é isso o que acontece. Não podemos deixar isso acontecer”, disse ele a respeito das disputas transatlânticas, que vão do setor aeroespacial a um imposto de serviços digitais europeu sobre gigantes de tecnologia americanas.

Minimizando os sinais recentes de que a Alemanha está disposta a fazer mais para cumprir a meta da Otan de gastar 2% do produto interno bruto (PIB) com a defesa, Trump acusou Berlim e outras capitais que investem menos do que a meta de serem “delinquentes”.

O ataque de Trump veio poucas horas depois do surgimento de divisões entre outros membros da entidade — a Turquia prometeu se opor a um plano da Otan para defender países bálticos a menos que esta a apoie reconhecendo a milícia curda YPG como um grupo terrorista.

Os combatentes da YPG são aliados de longa data dos Estados Unidos na luta contra o Estado Islâmico na Síria. Ancara a considera uma inimiga devido aos seus laços com insurgentes curdos no sudeste turco.

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Além do encontro com Macron, Trump irá ao Palácio de Buckingham nesta terça para participar da recepção oferecida pela rainha Elizabeth II aos líderes que participarão da cúpula, com a qual recordarão a fundação da Otan para garantir a segurança da Europa e da América do Norte depois da II Guerra Mundial.

A rainha Elizabeth II receberá os líderes no Palácio de Buckingham, mas mesmo os anfitriões britânicos, que há gerações estão entre os defensores mais entusiasmados da Otan, estão desunidos a respeito de seu projeto de saída da UE e distraídos com uma eleição agressiva que acontecerá na semana que vem.

(Com Reuters)

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