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Comediante vence 1º turno da eleição presidencial na Ucrânia

Novato e favorável a negociações com a Rússia, Volodymyr Zelenskiy abriu vantagem sobre o atual presidente, Poroshenko, inimigo de Moscou

Por Da Redação - 1 abr 2019, 11h59

O comediante Volodymyr Zelenskiy, de tendência pró-Rússia, venceu com ampla vantagem o primeiro turno da eleição presidencial na Ucrânia, ocorrida no domingo 31. Ele superou o atual presidente, Petro Poroshenko, considerado um inimigo de Moscou, que será seu oponente no segundo turno marcado para o dia 21 de abril.

Aos 41 anos, Zelenskiy, um novato na carreira política, é estrela de uma famosa série da televisão ucraniana em que interpreta um professor de ensino médio que se torna presidente do país. Sua rápida ascensão reflete uma tendência mundial por candidatos desconectados da elite partidária tradicional, como o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o chefe de Estado brasileiro, Jair Bolsonaro.

Segundo os resultados parciais da votação de domingo 31, o humorista recebeu 30,4% dos votos válidos Poroshenko obteve 16,1% dos votos e a ex-primeira-ministra Yulia Tymoshenko, que chegou a liderar as pesquisas no início da corrida presidencial, 13%.

A contagem de votos ainda não terminou. Esse resultado parcial foi anunciado pela Comissão Eleitoral ucraniana no início da manhã desta segunda-feira, 1.

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Entre as maiores preocupações dos eleitores ucranianos estão os recentes escândalos de corrupção no governo e o conflito separatista no leste do país, envolvendo guerrilhas apoiadas pela Rússia. O conflito já deixou 13.000 mortos desde 2014 e levou à anexação da península da Crimeia pela Rússia.

Assim como seu personagem no seriado, Zelenskiy fez da luta contra a corrupção um assunto central de sua campanha. Ele propõe que os políticos condenados por prejuízos às contas públicas sejam banidos da carreira política e também defende negociações diretas com a Rússia para acabar com os conflitos no leste ucraniano.

“Este foi apenas o primeiro passo em direção a uma grande vitória”, declarou o favorito, logo depois de ter votado em uma das zonas eleitorais da capital, Kiev.

Denúncias de fraude

No domingo à noite, a ex-primeira-ministra Tymoshenko, terceira colocada, reivindicou o segundo lugar e denunciou terem havido pesquisas de boca de urna “desonestas”. A acusação pode motivar futuras tentativas de anulação do pleito em um país que registrou duas revoluções desde sua independência, há 28 anos.

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A polícia recebeu mais de 2.100 denúncias de supostas fraude, mas a maioria delas não teve grande repercussão. “A votação aconteceu sem violações sistêmicas”, garantiu a presidente da Comissão Eleitoral, Tetiana Slipachuk.

Todos as pesquisas divulgadas no domingo à noite pela imprensa ucraniana estimavam o mesmo resultado entre os três principais candidatos.

A Ucrânia, país de 45 milhões de habitantes, é um dos Estados mais pobres da Europa e enfrenta sua pior crise desde a independência, em 1991, após suas divergências com a Rússia e o alinhamento com as visões do Ocidente. Ontem, o índice de participação entre seus eleitores foi de 64%, um aumento na comparação com o pleito de 2014.

Nesta segunda, 1, o governo russo declarou que espera a vitória de “um partido que deseje uma verdadeira solução para a situação no leste da Ucrânia”, o que indica uma preferência por Volodymyr Zelensky já que Poroshenko, seu adversário, tem posicionamentos pró-Ocidente.

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“Não estou contente. É uma lição dura para mim”, declarou o atual presidente ao receber as notícias sobre sua desvantagem, antes de agradecer aos eleitores que apoiaram sua “inclinação para a Otan, a União Europeia e uma independência da Rússia.”

Durante seu mandato de cinco anos, Poroshenko iniciou uma série de reformas, em particular nas Forças Armadas, no setor de energia, na saúde pública e na educação. Por outro lado, ele é muito criticado por sua omissão na luta contra a corrupção.

Para o analista Anatoly Oktysiuk, do centro Democracy House em Kiev, Zelensky deve ganhar porque o atual presidente saturou seu apoio. “É uma reação aos escândalos de corrupção, um protesto contra as velhas elites.”

(Com AFP)

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