Assine VEJA a partir de R$ 9,90/mês

Agentes do FBI e da Secretaria de Justiça quase derrubaram Trump em 2017

Andrew McCabe, ex-diretor interino do FBI, relata em entrevista que motim foi considerado depois da demissão do então diretor do bureau, James Comey

Por Da Redação - 14 fev 2019, 18h19

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, quase foi derrubado da Casa Branca em maio de 2017. Em entrevista ao programa 60 Minutes, da rede CBS, o ex-diretor interino do FBI Andrew McCabe afirmou que seus colegas ficaram tão aturdidos com a decisão do chefe de Estado de demitir o então diretor James Comey que consideraram apelar á 25ª emenda da Constituição para destituí-lo.

A 25ª Emenda da Constituição dos Estados Unidos permite ao vice-presidente e à maioria do gabinete destituir o presidente não o considerarem apto a cumprir seus deveres.

Comey foi demitido por sua insistência em levar adiante as investigações do FBI sobre a interferência da Rússia nas eleições de 2016, particularmente na vitória de Trump, e a suspeita de o presidente ter tentado obstruir a Justiça.

Apontado para o cargo pelo então presidente Barack Obama, ele se tornou figura controversa naquele pleito. Ele foi responsável por reabrir as investigações sobre o caso do uso de conta pessoal de email pela candidata democrata, Hillary Clinton, quando era secretária de Estado, duas semanas antes da eleição.

Publicidade

Para os democratas, sua atitude em 2016 custou a Hillary Clinton a vitória. Para Trump, em 2017, a insistência de Comey tornou-se um embaraço. Ao ser demitido, ele foi substituído por McCabe que, no comando do FBI, ordenou a expansão das investigações sobre a interferência da Rússia para a apuração das suspeitas de obstrução de Justiça pelo presidente e de ter atuado em favor de interesses russos.

A entrevista de Mcbe deve ir ao ar no próximo domingo, 17. Segundo o jornal The New York Times, o ex-diretor interino está promovendo o lançamento de seu livro de memórias “The Threat: How the FBI Protege a América in the Age of Terror and Trump” (A ameaça: como o FBI protege a América na era do terror e de Trump, em tradução livre).

O jornalista Scott Pelley, que entrevistou McCabe para o “60 Minutos”, antecipou que, logo depois da demissão de Comey, os setores mais elevados do FBI e do Departamento de Justiça já estavam “contando votos” para a remoção de Trump. Já não estavam perguntando aos membros do gabinete como votariam.

O vice-secretário de Justiça, Rod Rosenstein, chegara a se dispor a gravar conversas incriminadoras com Trump, comentou McCabe a Pelley. O ex-diretor interino do FBI disse que levou a proposta a sério.

Publicidade

McCabe acabou demitido em março do ano passado, dois dias antes de sua aposentadoria, por Jeff Sessions, então secretário de Justiça. Jessions, por sua vez, foi demitido em janeiro por Trump justamente por não ter sido eficiente em abafar as investigações sobre a interferência da Rússia nas eleições de 1966.

Indignado com as declarações de McCabe, Trump protestou pelo Twitter. “O desgraçado diretor interino do FBI Andrew McCabe pretende ser um ‘anjinho coitado’ quando ele foi, de fato, uma imensa parte do escândalo sobre a desonesta Hillary e do engano da Rússia – um marionete do vazador James Comey. O relatório do inspetor geral sobre McCabe é devastador. Parte da política de insegurança eu ganhei”, escreveu.

Em um segundo tuíte, Trump acusou a mulher de McCabe de receber milhões de dólares da campanha de Hillary Clinton e voltou a chamar o ex-diretor interino do FBI de “desgraçado”.

Publicidade