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“A mãe do satã”, explosivo preferido do EI, foi usado em Bruxelas

O explosivo artesanal é obtido na mistura, em proporções precisas, de acetona, água oxigenada e um ácido; produtos facilmente encontrados no comércio

O nome por si só já assusta: “a mãe do satã”. Seu potencial de destruição é ainda mais temerário que o nome. É um pó branco, discreto, fácil de fabricar e mortal. Em Bruxelas, na terça-feira, assim como na casa de shows Bataclan em Paris ou na Síria, o Triperóxido de triacetona (ou apenas TATP), apelidado pelos extremistas de “a mãe do satã”, parece ser o explosivo preferido do Estado Islâmico (EI).

“Quinze quilos de explosivo do tipo TATP, 150 litros de acetona, 30 litros de água oxigenada, detonadores, uma mala cheia de pregos e parafusos” foram encontrados em um apartamento dos homens-bomba de Bruxelas, segundo revelou nesta quarta-feira o procurador federal belga, Frédéric Van Leeuw. Descoberto no final do século XIX por um químico alemão, o TATP é um explosivo artesanal obtido na mistura, em proporções precisas, de acetona, água oxigenada e um ácido (sulfúrico, clorídrico ou nítrico), produtos facilmente encontrados no comércio.

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O resultado é um pó constituído de cristais brancos, parecido com açúcar cristal, que um simples detonador basta para fazê-lo explodir, em uma deflagração terrível que produz gases quentes. Nos últimos anos, no Iraque e na Síria, os laboratórios, primeiro precários depois quase industriais, de TATP e de outros explosivos artesanais se multiplicaram. Em um relatório publicado em fevereiro, a ONG Conflict Armament Research apontou, após uma investigação de vinte meses, uma rede de 51 empresas, com sede em vinte países, incluindo Turquia, Brasil, Rússia, Bélgica e Estados Unidos, que forneceram ao EI os componentes necessários para a fabricação semi-industrial de explosivos artesanais.

“Ao contrário do que dizem, olhar um tutorial na internet não basta”, assegura Eric, um ex-oficial, especialista em explosivos, que pede para não ter seu sobrenome identificado. “É preciso que alguém ensine e mostre pelo menos uma vez. Mas de instrutores, o Estado Islâmico está cheio, na Síria e no Iraque. Pois isso se difunde na prática. Quando alguém te mostra, você pode, efetivamente, produzir o explosivo em sua cozinha”, acrescenta.

“Durante um curto treinamento, passamos a tarde fabricando explosivos artesanais, principalmente TATP, e depois testamos. É de uma facilidade desconcertante. Unicamente com produtos comprados” em lojas comuns. “Em meia hora, é possível fabricar o explosivo, meia hora depois o explodimos. E a explosão é forte”, afirma Eric.

(Com agência France-Presse)

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