Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

Valdivia critica ‘papo furado’ da diretoria e explica saída do Palmeiras

Meia chileno acusou Paulo Nobre e Alexandre Mattos de mentir sobre negociações, negou corpo mole e revelou até o seu salário mensal

O meia chileno Jorge Valdivia vive seus últimos momentos no Palmeiras. Por questões legais, segue treinando no clube até o fim de seu contrato, em 17 de agosto, mas já está acertado com o Al Wahda, dos Emirados Árabes e não vestirá mais a camisa alviverde. Em entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo desta segunda-feira, Valdivia admitiu mágoa com o presidente Paulo Nobre e o diretor de futebol Alexandre Mattos e disse que deixou o clube contra sua vontade.

Direto como de costume, Valdivia afirmou que a diretoria fez jogo de cena e o colocou contra a torcida ao dizer publicamente que pretendia mantê-lo, mas jamais procurá-lo efetivamente para negociar a renovação. “Vamos ser sinceros. Para fora, a diretoria falou que me queria e para dentro, quem cobre o Palmeiras sabe que eles não me queriam.”

Leia também:

Valdivia vai embora, mas Palmeiras pagará a conta até 2016

Presidente confirma: Valdivia não joga mais pelo Palmeiras

Time dos Emirados Árabes anuncia acerto com Valdivia

Ele ainda comparou a sua situação com a do novo reforço do clube, o paraguaio Lucas Barrios, contratado durante a Copa América. “Vejo muita gente me chamando de mercenário e que eu estava enganando o Palmeiras, mas tive proposta milionária da China e não fui, enquanto a diretoria ficava com papinho furado. Por que não me chamaram para conversar? Podiam ter feito como fizeram com o Barrios. O Mattos foi até o Chile para contratá-lo, eu estava a uns 40 km de distância. Era fácil ir me encontrar, ir lá falar comigo.”

Valdivia revelou os seus vencimentos mensais – disse que recebia 350.000 reais, bem abaixo do valor especulado – e admitiu que o contrato por produtividade não o agradava. O meia de 31 anos ainda relembrou os erros cometidos em suas duas passagens pelo clube e falou sobre a série de contusões que o atrapalharam, mas negou que tenha feito “corpo mole”.

Amor pelo clube

Foram cinco anos maravilhosos. Aprendi a gostar do Palmeiras. A minha família aprendeu a amar o clube, tanto que meus filhos são palmeirenses. Agradeço a todo o carinho do torcedor neste período. Eles foram muito especiais. O Palmeiras se tornou a minha casa e infelizmente isso chegou ao fim. Não queria que chegasse, mas, por conta de muitas situações, a minha permanência não aconteceu.

Motivos para a saída

Me ofereceram uma proposta e eu não aceitei. Por tudo aquilo que as pessoas falaram, que gostariam que eu ficasse por mais tempo aqui porque eu era importante, pensei que receberia uma segunda proposta, mas não teve. Fiquei engasgado quando o presidente falou que o clube foi no seu limite. O limite foi uma proposta de 120.000 reais fixos mais 60.000 reais por jogo em que eu fosse titular. E eu nem sei se esses valores eram brutos ou líquidos, porque enviaram essa única proposta por e-mail.

Produtividade

Sempre que falavam em produtividade, eu dizia que tinha que ver e saber o que vai acontecer quando eu for para a seleção, ou for poupado pelo treinador. E se alguém bate em mim e eu fico vários jogos fora, como aconteceu com o Vitor Hugo? Eu não iria receber porque uma outra pessoa me machucou? Pedi para conversarmos sobre isso e não foi falado nada.

Diretoria

Vamos ser sinceros. Para fora, a diretoria falou que me queria e para dentro, quem cobre o Palmeiras sabe que eles não me queriam. E, por falar em sinceridade, o Paulo Nobre sempre falava que eu tinha que me encaixar no contrato de produtividade, porque todo mundo que chegou se encaixou. Isso não é verdade. Vocês sabem que têm jogadores que não têm contrato por produtividade. Não sei porque ficar mentindo.

Barrios

Aconteceu algo engraçado. Quando falei para o Mattos que o Palmeiras não me queria tanto que não foi negociar comigo como fez com o Barrios, ele me disse que já tinha contratado o Barrios há uns dois meses. Eu dei risada, porque ele realmente acha que jogador não se fala. Eu conversei com o Barrios e ele me contou que foi contratado durante a Copa América.

Paulo Nobre

Sempre apoiei o Paulo, até em sua reeleição e sempre tivemos um bom relacionamento. Agora que complicou. Tenho mandado mensagens para falar com ele faz duas semanas e nada. O tempo que ele tem para dar entrevista falando sobre o Valdivia, ele poderia usar para falar comigo. O Mattos é um ótimo diretor e desejo que ele seja campeão pelo Palmeiras. Não vou falar mal dele publicamente. O que eu tinha para falar, já falei na cara.

Dedicação

Falam que eu devo ao Palmeiras. Só esquecem que eu fiquei na Série B, mesmo podendo sair, fui agredido pela torcida, sequestrado. E agressão e sequestro são motivos que me permitiam rescindir o contrato sem precisar pagar nada e ainda poderia processar o clube, no caso da agressão. Tiveram coragem até de desconfiar do meu sequestro mesmo com imagens e polícia no caso. As pessoas que criaram uma palhaçada nunca me pediram desculpa por isso. Eu tomei infiltração várias vezes, arrisquei minha carreira e uma Copa do Mundo porque o Palmeiras estava na Série B e fiquei, ao contrário de outros.

Erros

Fiz coisas erradas, sim, claro. Mas pergunte ao departamento médico quantas vezes eu joguei sem poder jogar. Teve treinador, o Felipão, que falou que precisava de mim nem que fosse por cinco ou dez minutos que ele assumiria a responsabilidade, fato que não aconteceu e tudo sobrou para mim. Saía quando não podia sair, mas isso foi em 2010 até 2012 no máximo. E minha mudança foi acontecendo naturalmente. Eu percebi que estava fazendo coisa errada e até pensei que as baladas poderiam ser o motivo de tanta lesão. Mas os exames mostravam que isso poderia atrapalhar na recuperação, mas não era a culpa de tanta lesão.

Lesões

Será que a culpa é do Valdivia? Se é, por que está mudando toda a estrutura médica do Palmeiras? Acontecem coisas que as pessoas não ficam sabendo. Nunca fiz corpo mole. Poderia ter feito várias vezes. O Valdivia sai para a noite e se machuca e tem um monte de jogador que você via na igreja e estava sempre machucado também. Posso não ter me cuidado no passado, mas isso é passado. Se eu invento lesão, os médicos têm que falar.

Salário

Já falaram que eu ganho 700.000 reais, 600.000…Na verdade, recebo mais ou menos uns 350.000 reais e quem falar que eu ganho mais, peço para entrar em contato com meu assessor que eu levo meu holerite.

(com Estadão Conteúdo)

Member of The Internet Defense League