Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

Suíça bloqueia US$ 80 milhões em escândalo da Fifa; Teixeira estaria envolvido

Segundo jornal 'O Estado de S.Paulo', ex-presidente da CBF teria movimentado milhões de dólares em transações investigadas pelo FBI

A Suíça bloqueou 80 milhões de dólares (cerca de 312 milhões de reais) em contas que entraram na mira da investigação feita pelos Estados Unidos do esquema de corrupção na Fifa, revelou nesta quarta-feira o Ministério da Justiça do país europeu. O montante está depositado em um total de 13 contas bancárias, que ficarão impedidas de realizar qualquer movimentação até que os trabalhos dos investigadores estejam encerrados. Segundo o jornal o Estado de S. Paulo, o ex-presidente da CBF Ricardo Teixeira está entre os investigados.

Leia também:

FBI descobre contas secretas de Ricardo Teixeira na Suíça

‘A Fifa me abandonou’, diz Blatter, afastado da presidência por suspeita de corrupção

Presidentes da Conmebol e da Concacaf são presos em Zurique

A Suíça enviou aos Estados Unidos dados das contas bancárias que teriam sido utilizadas por dirigentes para movimentar propinas recebidas em troca da comercialização de direitos de transmissão e marketing de campeonatos realizados nas Américas do Sul, Central e do Norte. De acordo com a Procuradoria Geral dos Estados Unidos, os valores chegariam a centenas de milhões de dólares. A Justiça americana já solicitou que a Suíça envie o processo referente a uma antiga investigação contra dirigentes da Fifa, encerrada em 2010, por considerar que as informações reunidas naquela época podem ser úteis.

Teixeira – Segundo informações do Estado de S.Paulo, Ricardo Teixeira está diretamente envolvido no bloqueio. O FBI teria identificado contas controladas pelo ex-presidente da CBF em pelo menos três bancos: o UBS, o Banca del Gottardo e o BSI, comprado neste ano pelo brasileiro BTG Pactual. Em apenas duas dessas contas, 800.000 dólares foram transferidos de contas nos Estados Unidos para a Suíça, envolvendo a Somerton, empresa controlada pelo também brasileiro José Margulies – também indiciado pelo FBI e parceiro de J. Hawilla, dono da empresa Traffic e um dos principais delatores do escândalo.

A suspeita do FBI é de que Teixeira usaria um nome de fachada para não ter sua identidade revelada, mas aparecia como beneficiário das contas. O “laranja” seria Willy Kraus, dono da Kraus Corretora de Câmbio, no centro do Rio. Em uma das transações suspeitas, o FBI registrou como outra empresa, a Blue Marina, com contas nos EUA, pediu para transferir seus ativos para a Suíça. No dia 25 de setembro de 2008, a conta em território americano foi fechado e o dinheiro enviado a uma conta de Kraus, na Banca del Gottardo. O valor transferido era de 478.200 dólares.

Outro nome registrado pelos americanos era o da sociedade Summerton, usada também pelo então presidente da CBF. Para o FBI, Teixeira mantinha o “efetivo controle” sobre essas contas. O valor do dinheiro bloqueado em nome do brasileiro não foi revelado. Nove dirigentes foram presos entre 27 de maio e 3 de dezembro, em Zurique, na Suíça, sendo que quatro, entre eles o ex-presidente da CBF José Maria Marin, foram extraditados para os EUA.

(com agências EFE e Estadão Conteúdo)

Member of The Internet Defense League