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Sem Marta, futebol brasileiro é Neymar e mais ninguém

Crise que passa pelos fracassos da seleção, enfraquecimento dos clubes e falta de representatividade dos treinadores culminou na lista da Bola de Ouro 2015

A divulgação dos pré-candidatos à Bola de Ouro da Fifa de 2015 confirmou a falta de representatividade do futebol brasileiro no cenário mundial. A última vez que um jogador brasileiro esteve entre os três melhores do mundo na categoria masculina foi em 2007, quando Kaká faturou o prêmio. Desde então, o país só marcou presença na maior festa do futebol mundial entre as mulheres, com Marta concorrendo ao prêmio desde 2003. A craque alagoana é a maior vencedora do prêmio, com cinco títulos, um a mais que Lionel Messi, o rei entre os homens. No entanto, este ano nem Marta escapou da decadência do futebol nacional. Depois de uma campanha decepcionante da seleção brasileira no Mundial do Canadá, ela não ficou nem entre as dez melhores do ano. Para evitar um fiasco completo, o Brasil deposita todas as suas fichas em seu único fora de série, Neymar, mais uma vez indicado entre os 23 melhores.

O atacante brasileiro do Barcelona certamente estará entre os dez melhores e, é possível que consiga subir ao pódio pela primeira vez na carreira. Em 2015 ele venceu todos os campeonatos possíveis pela equipe catalã, sempre com atuações decisivas. Neymar dividiu a artilharia da Liga dos Campeões com o companheiro Lionel Messi e Cristiano Ronaldo, do Real Madrid – justamente os dois craques que se alternam como Bola de Ouro desde 2008. Levando em conta que Messi e Cristiano devem estar entre os três melhores, resta uma vaga que deve ser disputada por Neymar e pelo colega uruguaio Luis Suárez. Manuel Neuer e Robert Lewandowski, ambos do Bayern de Munique, correm por fora na disputa. Mas mesmo que Neymar consiga o feito de subir ao palco em Zurique novamente – em 2011, recebeu o prêmio Puskas pelo gol mais bonito do ano -, será pouco para o futebol mais vitorioso da história.

Nesta temporada, países com pouca tradição, como Chile e Bélgica levarão mais representantes à Bola de Ouro do que o Brasil. Willian e Philippe Coutinho até apareceram na lista vazada com 59 indicados, mas já se sabia que não teriam a menor chance em uma lista reduzida. Nem mesmo os brasileiros naturalizados foram lembrados – em 2014, o agora espanhol Diego Costa esteve entre os 23. Somam-se às premiações individuais os fracassos retumbantes da seleção brasileira na Copa do Mundo de 2014 e na Copa América deste ano – ambas com Neymar como desfalque – e a perda de prestígio do futebol nacional como um todo.

(da redação)

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