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Seleção feminina de futebol dos EUA ameaça boicote à Rio-2016 por desigualdade salarial

Há duas semanas, cinco jogadoras e líderes da equipe americana moveram uma ação judicial contra a federação do país por receberem da entidade menos do que os homens, mesmo com o maior sucesso do time feminino em comparação com o masculino

A participação da seleção feminina de futebol dos Estados Unidos nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em agosto, está ameaçada por um motim encabeçado pelas principais estrelas da equipe americana, que pedem a equiparação salarial em comparação com os ganhos obtidos pelos homens no país.

Em entrevista à ESPN americana, na sessão dedicada ao esporte feminino, a zagueira da seleção Becky Sauerbrunn, uma das líderes e segunda capitã do time, disse que um boicote à Rio-2016 está sendo discutido e avaliado pelas jogadoras se não houver nenhuma mudança em relação à igualdade de gêneros até o início do evento: “Isso (o boicote olímpico) está na mesa. Temos todos os direitos de fazer e vamos deixar em aberto. Se nada mudar até lá e se não sentirmos que nenhum progresso está sendo feito, então é uma conversa que teremos”, disse a jogadora.

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Há duas semanas, cinco atletas representantes da seleção feminina de futebol dos EUA moverem uma ação judicial contra a Federação de Futebol dos Estados Unidos (US Soccer, na sigla em inglês), com o apoio da Comissão de Oportunidades Iguais de Emprego (EEOC, na sigla em inglês), órgão governamental que atua nos EUA na luta contra às desigualdades trabalhistas.

No documento apresentado como justificativa do processo contra a US Soccer, as jogadoras Carli Lloyd – melhor do mundo e capitã da seleção – Becky Sauerbrunn, Alex Morgan, Megan Rapinoe e Hope Solo argumentam que a seleção feminina é tão popular quanto à masculina e que as mulheres geraram no ano passado 20 milhões de dólares a mais em receita do que os homens. Ainda de acordo com o levantamento das atletas e da EEOC, as jogadoras da seleção feminina, se ganhassem 20 partidas amistosas, acumulariam cada uma 99 mil dólares, enquanto os homens teriam um bônus de 263 mil dólares cada um, na mesma situação.

Em caso de título na Copa do Mundo, a desigualdade é ainda mais discrepante: cada jogadora campeã mundial receberia 75 mil dólares, já os homens seriam abonados com 390 mil dólares cada. Vale lembrar que a seleção feminina é uma potência do futebol mundial com três Copas no currículo (1991,1999 e 2015), enquanto à seleção masculina chegou perto do caneco apenas na primeira edição, em 1930, quando ficou na terceira posição.

(Da redação)

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