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São Paulo investiga dirigentes por suspeita de conflito de interesses

Clube realiza investigação interna e apura ligação dos dirigentes José Francisco Manssur e Gustavo Oliveira com empresário Eduardo Uram

O São Paulo começa o ano de 2016 com dois dirigentes sendo investigados internamente, em novo capítulo do racha político no clube. A comissão de auditoria do Conselho Deliberativo apura a suspeita levantada por um sócio de conflito de interesses na atuação do vice-presidente de comunicações e marketing, José Francisco Manssur, e do diretor executivo de futebol, Gustavo Vieira de Oliveira, em anos anteriores.

Um requerimento entregue ao Conselho na última reunião, em dezembro, mostra que a dupla foi sócia de um escritório de advocacia entre 2008 e 2013. Um dos clientes da empresa é o empresário Eduardo Uram, responsável por agenciar pelo menos dez jogadores que atuaram pelo São Paulo nas últimas três temporadas como Cícero, João Filipe, Juan, Cortez, Welliton, Maicon e Bruno.

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O conteúdo do requerimento inclui uma planilha de pagamentos de 15,9 milhões de reais do São Paulo ao Tombense (MG), clube que tem Uram como principal investidor e que registra os jogadores agenciados por ele. O levantamento mostra dados de dezembro de 2011 a abril de 2014, apesar de outros jogadores do empresário terem sido contratados antes e depois desse período.

Neste intervalo, Manssur atuou como assessor especial da presidência de Juvenal Juvêncio, dirigente morto no mês passado. Gustavo Oliveira, que é filho do ex-jogador Sócrates e sobrinho do ídolo tricolor Raí, assumiu o cargo de diretor de futebol pela primeira vez em agosto de 2013, data em que, segundo o escritório, deixou a sociedade para trabalhar no São Paulo.

O presidente do Conselho Deliberativo do clube, Marcelo Pupo Barboza, disse que não poderia citar os nomes dos envolvidos, mas confirmou o requerimento. “Realmente tem um material que contesta a relação entre um diretor e um funcionário que poderia criar um conflito de interesses em outra relação deles com um empresário de futebol”, afirmou.

O pedido de investigação foi protocolado pelo ex-diretor jurídico adjunto do clube, José Marcelo Previtalli. “O conflito de interesses é algo do mundo da ética. Quem atua no São Paulo não pode defender o Uram ainda que seja em outro caso porque está com dois clientes”, explicou.

O requerimento inclui uma procuração assinada por Uram para que o escritório o defendesse em 2013 em uma ação contra o Vasco para pagamento de comissão. Há ainda uma relação de dez processos em que a empresa dele, a Brazil Soccer, foi representada por um advogado sócio de Manssur e Oliveira em disputas judiciais contra Flamengo e Botafogo.

Em 2015, conflitos internos, sobretudo entre o vice-presidente de futebol, Ataíde Gil Guerreiro e o então presidente Carlos Miguel Aidar marcaram negativamente o ano no Morumbi. Uma gravação feita por Ataíde seguida por troca de socos entre os dirigentes foi o estopim da crise política que causou a renúncia de Aidar, envolvido em acusações de corrupção e desvio de dinheiro durante a gestão de um ano e meio no clube.

Resposta – Por meio da assessoria de imprensa do São Paulo, Manssur e Gustavo dizem que o escritório jamais prestou serviços ao clube, mas que foi contratado por Uram em junho de 2012 para cuidar de variados processos e não de negociações.

O São Paulo afirma que a maioria dos atletas agenciados por Uram e contratados para o time chegou antes de o empresário firmar acordo com o escritório. Segundo o clube, entre o início da prestação de serviços e a saída de Oliveira da sociedade, somente Aloísio e Roger Carvalho reforçaram o elenco. Na última reunião do Conselho, Manssur entregou voluntariamente suas declarações de Imposto de Renda e notas emitidas pelo escritório para ajudar na apuração.

(com Estadão Conteúdo)

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