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Putin diz que suspensão ao esporte russo por doping é 'decisão política'

Presidente sinalizou que Rússia deve recorrer da punição anunciada pela Wada, que excluiu o país de competições como Copa e Olimpíadas por quatro anos

Por Da redação - 10 dez 2019, 10h15

O presidente russo Vladimir Putin indicou que o país recorrerá da punição aplicada pela Agência Mundial Antidoping (Wada, na sigla em inglês) na segunda-feira 9. A Rússia foi suspensa de diversas competições internacionais, incluindo Olimpíadas e Copa do Mundo, em punição a um escândalo de doping. Putin disse se tratar de uma decisão “política” que, segundo ele, fere as normas do Comitê Olímpico Internacional (COI).

“Se não há qualquer reclamação contra o comitê, então o país deve competir sob a sua própria bandeira. Isto está escrito na Carta Olímpica. Desta forma, a decisão da Wada viola a Carta. Temos todas as condições de apelar”, afirmou Putin, ao deixar uma reunião sobre o conflito no leste da Ucrânia, em Paris.

Para Putin, que apesar de fortes indícios, sempre negou a participação do governo russo no esquema generalizado de doping, a suspensão não pode ser coletiva. “Qualquer punição deve ser individual e deve ter ligação com o que foi feito por uma pessoa ou outra. Uma punição não pode ser coletiva e não pode ser aplicada a pessoas que não tem qualquer relação com as violações da regras.”

Por fim, o presidente russo considerou que a decisão tem motivações políticas. “Se alguém toma uma decisão deste tipo, de forma coletiva, dá margem para concluir que não há relação com a pureza do esporte, mas com considerações políticas. Não têm nada a ver com o interesse do esporte ou com o movimento olímpico.”

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Horas antes, a Wada anunciou suspensão por quatro anos ao esporte russo. Com a punição, o país não disputará os Jogos Olímpicos de Tóquio-2020, no Japão, e os Jogos de Inverno de Pequim-2022, na China, além de outros grandes eventos esportivos, o que inclui a Copa do Mundo de 2022, no Catar.

A Rússia tem três semanas para recorrer da decisão da Wada junto à Corte Arbitral do Esporte (CAS). Uma reunião do Conselho da Rusada (Agência Antidoping da Rússia) deverá acontecer no próximo dia 19 para debater a questão, mas o presidente da entidade já manifestou seu pessimismo. “Não há nenhuma hipótese de ganhar diante de um tribunal”, afirmou Iouri Ganous, mandatário da Rusada. “É uma tragédia para os esportistas honestos. Eles estão com seus direitos limitados.”

Caso o banimento seja mantido, a Rússia não poderá ter sua bandeira erguida ou seu hino tocado nos torneios. Atletas que não estejam envolvidos nos casos de doping ainda poderão competir, mas sob uma bandeira neutra, como já ocorreu nos  Jogos Olímpicos de Inverno de 2018, em Pyeongchang, na Coréia do Sul, e com a equipe russa de atletismo na Rio-2016. 

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