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Presidente da Fifa aparece no ‘Panama Papers’

Arquivos mostram contratos suspeitos assinados pela Uefa no período em que Gianni Infantino era seu diretor jurídico

O novo presidente da Fifa, o suíço Gianni Infantino, teve seu nome envolvido no “Panama Papers”, o vazamento de informações que atingiu políticos, artistas e esportistas que mantinham contas em paraíso fiscal. Segundo informações divulgadas nesta terça-feira no site do jornal britânico The Guardian, a Uefa fez negócios com uma offshore no período em que Infantino foi diretor jurídico da federação europeia.

Os arquivos do escritório de advocacia panamenho Mossack Fonseca, obtidos pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ, por sua sigla em inglês) e distribuídos a alguns veículos de imprensa, mostraram que, em 2006, a Uefa vendeu direitos de transmissão de seus jogos para a América do Sul a uma empresa argentina chamada Cruz Trading.

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A empresa é uma subsidiária da Full Play, conhecida pelo pagamento de subornos no escândalo da Fifa. Seu proprietário, o argentino Hugo Jinkins está detido em prisão domiciliar, assim como seu filho, Mariano, enquanto aguarda novo posicionamento da Justiça americana. Segundo a reportagem do Guardian, a Cruz Trading assinou um acordo com de transmissão com a Uefa em contratos registrados no pequeno paraíso fiscal da Ilha de Niue, no Pacífico Sul, e revendeu os direitos à emissora equatoriana Teleamazonas, por cerca de quatro vezes mais que o valor original.

A Uefa se defendeu dizendo que não teria como saber, em 2006, que a Full Play estivesse envolvida em um escândalo de corrupção. “O contrato de TV em questão foi assinado por Gianni Infantino quando ele era um dos vários diretores Uefa com poderes para assinar contratos. Como observado, o contrato foi também co-assinado por outro diretor Uefa. É prática comum”, defendeu-se a entidade.

O jornal britânico diz ainda que a Uefa assinou contratos com a Traffic Sports, a empresa brasileira presidida por José Hawilla, um dos principais delatores do escândalo da Fifa. Diante das acusações, Infantino se defendeu em um comunicado. “Estou consternado e não aceitarei que minha integridade seja posta em dúvida por certas áreas da imprensa, especialmente tendo em conta que a Uefa já divulgou em detalhes todos os fatos relativos a estes contratos”, diz um trecho da nota.

O dirigente suíço afirmou que nunca lidou especificamente com os contratos com a Full Play e a Teleamazonas e reforçou que nem ele nem a Uefa foram procurados pela Justiça para prestar esclarecimentos. O francês Michel Platini, que presidiu a Uefa de 2007 até sua suspensão, no ano passado, também foi citado nos Panama Papers.

(Da redação)

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