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Presidente da federação de atletismo classifica denúncias de doping como ‘piada’

Senegalês Lamine Diack disse que casos serão analisados, mas vê interesse político na divulgação das notícias a poucos dias do Mundial e da eleição na IAAF

O presidente da Associação das Federações Internacionais de Atletismo (IAAF), o senegalês Lamine Diack, comentou a crise aberta na entidade com a divulgação de possíveis casos de doping no esporte. No fim de semana, o canal de TV alemão ARD e o jornal britânico The Sunday Times revelaram uma investigação que sugere que o a IAAF tenha encoberto centenas de casos de doping em eventos como Mundial e Jogos Olímpicos, durante onze anos. Nesta segunda-feira, Diack classificou a denúncia como “piada”.

Um novo caso de doping no atletismo

“Há alegações feitas, nenhuma evidência. Queremos examiná-las a sério porque dizer que no atletismo entre 2001 e 2012 não fizemos um trabalho sério com os testes é motivo para rir”, afirmou o dirigente à agência Reuters. “Eles estão brincando com a ideia de uma redistribuição das medalhas. É possível, com as novas técnicas à nossa disposição, provarmos que alguém se dopou. Caso contrário, é uma piada. Apenas três semanas antes do Mundial, há algo por trás disso”, afirmou o senegalês, durante reunião do Comitê Olímpico Internacional (COI), em Kuala Lumpur, na Malásia.

Segundo Diack, as denúncias publicadas dias antes do início do Mundial de Pequim (China) estão relacionadas à eleição para substituí-lo no comando da IAAF. O britânico Sebastian Coe, que comandou com sucesso os Jogos de Londres em 2012, e o ucraniano Serguei Bubka, atual vice-presidente, ambos ex-atletas de sucesso, são os candidatos, na eleição marcada para o dia 19.

A ARD e o Sunday Times tiveram acesso ao resultado de 12.000 testes de sangue de 5.000 atletas ao longo de uma década. Estas informações foram tiradas do banco de dados da própria IAAF e vazadas por uma fonte não identificada. Os documentos levantam suspeitas sobre um terço das medalhas conquistadas em provas de resistência em Mundiais e Jogos Olímpicos disputados em uma década. De acordo com a análise, 800 atletas registraram testes de sangue com resultados suspeitos ou abaixo dos padrões da Agência Mundial Antidoping (Wada).

O documentário ‘Doping Ultrassecreto: O Sombrio Mundo do Atletismo’, do canal ARD, mostra ainda que 146 medalhas de Mundiais e Jogos Olímpicos, sendo 55 de ouro, foram conquistadas por atletas que apresentaram estes resultados suspeitos nos testes. Nenhum deles perdeu as medalhas em eventuais provas antidoping.

(com Estadão Conteúdo e EFE)

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