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Os feitos do capitão Ceni, o ‘mito’ são-paulino

Goleiro-artilheiro de 42 anos se aposenta nesta sexta-feira como um exemplo de fidelidade a uma camisa e com uma série de glórias na carreira

Rogério Ceni comemora a conquista do Campeonato Brasileiro de 2007

Rogério Ceni comemora a conquista do Campeonato Brasileiro de 2007 (/)

O ciclo do capitão Rogério Ceni à frente do São Paulo terminará na próxima sexta-feira em uma despedida comemorativa no Morumbi. O goleiro-artilheiro vai deixar o plano dos gramados e habitar não só as lembranças dos torcedores são-paulinos, que o idolatraram com fidelidade nesses 25 anos de clube, como a memória do futebol brasileiro nas duas últimas décadas. Rogério deixa o São Paulo como um cosmopolita. Ele que viveu a cidade e o time da forma mais intensa possível. Quem diria que aquele magrelo garoto interiorano, vindo do modesto Sinop Futebol Clube, escreveria seu nome na história de um dos maiores clubes do país?

Nascido em 22 de janeiro de 1973, na cidade de Pato Branco, no Paraná, Ceni começou seus passos no futebol aos 17 anos em Sinop, no Mato Grosso, no time homônimo da cidade, em 1990. No mesmo ano desembarcou na capital paulista para fazer testes no São Paulo, de onde nunca mais saiu. Chegou a morar nas dependências do estádio do Morumbi por alguns anos e viu do banco de reservas o time comandado por Telê Santana vencer a Libertadores e o Mundial de 1993 – nos títulos de 1992, Ceni ainda não figurava no elenco principal. Com a hegemonia de Zetti durante grande parte da década de 1990, Rogério só foi virar titular absoluto sete anos depois com a ida de Zetti ao Santos.

A partir daí, a construção de um ídolo foi concebida de degrau em degrau e a alcunha de “Mito” era só uma questão de tempo. Mais tarde, Rogério se tornaria o maior vencedor da história do São Paulo. Hoje, aos 42 anos, os números do goleiro falam por si só. São 1.237 jogos, sendo o jogador com mais partidas por uma mesma equipe ultrapassando Pelé, que jogou 1.117 vezes pelo Santos; 131 gols (61 de falta, 69 de pênalti e um com a bola rolando), que lhe renderam o título de maior goleiro-artilheiro da história do futebol; e 18 títulos oficiais pelo clube do Morumbi. Entre os mais importantes estão duas libertadores (1993 e 2005), dois mundiais (1993 e 2005), três brasileiros (2006, 2007 e 2008) e uma Copa Sul-Americana (2012).

Estreia no São Paulo em Santiago de Compostela, na Espanha, em 1993

Estreia no São Paulo em Santiago de Compostela, na Espanha, em 1993 (/)


Primeiro título no São Paulo, da Copa Conmebol, com o time apelidado de “Expressinho”, em 1994

Primeiro título no São Paulo, da Copa Conmebol, com o time apelidado de “Expressinho”, em 1994 (/)


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O primeiro gol

A primeira passagem do técnico Muricy Ramalho no comando do São Paulo foi definitiva para Ceni. O goleiro são-paulino já treinava cobranças de falta havia anos, mas nunca tivera o respaldo e incentivo devidos. Em 1997, com a saída do titular Zetti, Rogério virou o goleiro do time principal e logo no Campeonato Paulista daquele ano, no dia 15 de fevereiro, contra o União São João de Araras, usou seu grande artifício pelo qual ficaria conhecido na carreira. Falta perto da área. Rogério cobrou forte com um chute de média altura no canto oposto da barreira, anotando seu primeiro gol com a camisa tricolor. 

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2000: nasce um ídolo

Quatro anos foram o tempo suficiente para Rogério Ceni se firmar como ídolo da torcida do São Paulo, desde a definitiva titularidade em 1997.  Após ser campeão paulista em 1998 em cima do rival Corinthians, Rogério faria seu nome em outro clássico sendo o protagonista no jogo de volta da final do Campeonato Paulista de 2000, contra o Santos, no Morumbi. O goleiro marcou seu 18º gol na carreira, em uma belíssima cobrança de falta, no empate de 2 a 2 que garantiu ao São Paulo o título do estadual daquele ano.  

Rogério Ceni campeão da Libertadores de 2005

Rogério Ceni campeão da Libertadores de 2005 (/)


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Yokohama: a consagração total

Como se já não bastasse a atuação impecável do arqueiro na campanha da Libertadores, Rogério definitivamente coroou seu maior momento da carreira no final do ano, no Mundial de Clubes em Yokohama, no Japão. No primeiro jogo, contra o Al-Ittihad, Ceni fez um gol de pênalti na vitória por 3 a 2 – foi o 21º do ano, o que lhe garantiu a artilharia do São Paulo na temporada. A hora havia chegado. O temido time do Liverpool, do técnico Rafa Benítez, era o grande favorito para levar o Mundial para a Inglaterra. A vitória parecia impossível e o “Mito” entrou em ação. Rogério se agigantou como nunca debaixo das traves, fazendo defesas milagrosas. Uma delas em uma cobrança de falta no ângulo do meia Steven Gerrard, considerada a melhor defesa de sua carreira. O São Paulo saiu do Japão com o seu terceiro título do Mundial, fechando o melhor ano da história do clube e de Rogério Ceni com a camisa tricolor.

Ceni na Seleção Brasileira

Ceni na Seleção Brasileira (/)


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Recorde no Mineirão

O recorde de maior goleiro-artilheiro da história do futebol aconteceu no dia 20 de agosto de 2006 em uma partida dramática contra o Cruzeiro, pelo Campeonato Brasileiro, em pleno Mineirão. No primeiro tempo, o placar já marcava 2 a 0 para os donos da casa e aos 37 minutos veio a chance de o Cruzeiro ampliar com um pênalti. O meia Wagner foi para a cobrança, mas Rogério Ceni pulou no canto certo e defendeu a penalidade. Minutos depois, falta perto da meia lua da grande área cruzeirense. Rogério foi para a bola e marcou o gol que tanto esperava: 63º da carreira, ultrapassando o goleiro paraguaio Chilavert. A partida ainda foi empatada mais uma vez pelos pés do goleiro são-paulino em uma cobrança de pênalti diante de Fábio, goleiro que mais tomou gols de Ceni – ao todo foram sete.  

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O centésimo gol

Se já era especial pela incrível marca de 100 gols na carreira, o feito de Ceni teve um sabor a mais por ocorrer em um clássico contra o maior rival, o Corinthians. O jogo, na Arena Barueri, era válido pelo Campeonato Paulista de 2011. Ceni teve sua chance aos 8 minutos do segundo tempo em uma falta de média distância no canto esquerdo da entrada da área. O camisa 01 do São Paulo chutou com perfeição no ângulo esquerdo de Júlio César e decretou o centésimo gol de sua carreira na vitória por 2 a 1 sobre o rival.    

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Última atuação de gala

Apesar de muitos apontarem a atuação de Rogério Ceni no Mundial de 2005 como a melhor de sua carreira, a partida contra a Universidad Católica, do Chile, pelas oitavas de final da Copa Sul-Americana de 2013 talvez seja a última que o goleiro são-paulino foi extremamente decisivo debaixo das traves, defendendo bolas difíceis e evitando uma goleada dos chilenos. Após a vitória do São Paulo por 4 a 3, que deu a classificação às quartas de final da competição, Ceni foi exaltado pela mídia chilena. 

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​(Da redação)

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