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Olimpíadas Rio-2016: operação limpeza

Com poucos ajustes ainda por fazer, o sistema antidoping brasileiro tem enfim um laboratório de padrão internacional preparado para o desafio de 2016

O Rio de Janeiro segue firme na corrida para a Olimpíada de 2016, mas o percurso tem obstáculos razoavelmente altos. O mais recente veio da Agência Mundial Antidoping (Wada, na sigla em inglês), que pôs o Brasil numa lista de seis países em “estado de alerta” por atrasos no cumprimento de algumas normas. O puxão de orelha faz parte do esforço renovado da agência para organizar o sistema antidopagem, abalado por um devastador relatório da própria Wada que incriminou dirigentes, técnicos e órgãos do governo da Rússia na prática de contrafação sistemática dos astros do atletismo. Apesar dos tropeços apontados, o Brasil apresenta nesse quesito uma significativa e indispensável melhora de desempenho: tem um laboratório novo em folha preparado para detectar de modo confiável a presença, no sangue e na urina dos esportistas, de substâncias que turbinam artificialmente seus resultados. Ligado ao departamento de química da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o prédio no câmpus da Ilha do Fundão já está credenciado para análises rotineiras e em processo de habilitação para atuar na Olimpíada.

Os entraves, de cunho burocrático, precisam ser solucionados até março de 2016, segundo a Wada. Um deles é o prazo de tramitação de processos na Justiça Esportiva, que a agência quer ampliar por considerar o atual limite de sessenta dias insuficiente para atender aos padrões internacionais. A Wada pede mais tempo para recorrer de decisões locais. A solução passa por uma mudança na legislação, que o governo se prepara para encaminhar ao Congresso. O outro entrave é a efetivação da recém-criada Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem (ABCD) como entidade capacitada a lidar com o assunto. Isso levará a uma unificação de todo o processo, atualmente pulverizado pelas diversas confederações. O clima geral, porém, é de justificado alívio. O Brasil estava sem laboratório antidoping desde 2013, quando o único existente, espremido em uma saleta na mesma UFRJ, não tinha sequer condições de coletar sangue e teve o desfecho esperado: depois de falhar em uma bateria de testes, foi descredenciado.

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