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O improviso na segurança do Rio de Janeiro

A escassez financeira, aliada à cultura do atraso, frustrou a esperança de um legado olímpico na combalida segurança do Rio. Agora é correr para corrigir os problemas

Por Leslie Leitão - 8 abr 2016, 21h37

Várias promessas de alçar o Rio de Janeiro a um patamar mais digno foram alardeadas depois de a cidade conquistar o posto de sede dos Jogos Olímpicos de 2016. Uma delas dizia respeito à segurança pública, historicamente combalida pelo poder do tráfico e pela incompetência do Estado para lhe fazer frente. Por diversas vezes ouviu-se que, no dia em que as cortinas olímpicas se abrissem, o cenário estaria mudado – ou, para empregar o termo mais em voga, as favelas estariam “pacificadas”. A quatro meses do espetáculo, o que se vê são fortalezas do crime ainda fincadas na rota por onde passarão centenas de milhares de pessoas. As autoridades não falam mais em legado, mas em remendo, valendo-se da lógica de sempre: tapar as lacunas durante o show. Também aí rondam indagações. Não se sabe quais corporações ficarão de guarda nas explosivas áreas vizinhas aos jogos, nem como farão o necessário reforço na tropa com os caixas oficiais vazios.

Como em todo evento de envergadura, e o Brasil teve experiência recente com a Copa do Mundo, segurança se traduz em mais homens para policiar as ruas. Na Olimpíada não será diferente. Mas tudo indica que, no lugar do prometido planejamento de implantação gradual, bem organizada e de efeitos duradouros, o suspense vai se manter até a reta final, e o improviso será a palavra de ordem. O recém-empossado ministro da Justiça, Eugênio Aragão, já avisou que a União não arcará com horas extras para policiais, um recurso conhecido como Regime Adicional de Serviços (RAS). Quem então o fará? Como se não bastasse, já é quase certo que a Força Nacional, designada para monitorar as instalações esportivas, terá desfalque. Dos 9 000 homens previstos, apenas 7 500 deverão estar a postos. Segundo VEJA apurou, não dá mais tempo de recrutar nem de treinar o restante. A Força Nacional, aliás, tem sido um foco constante de instabilidade. Na próxima semana um novo número 1 deverá assumir o comando da corporação, que já havia trocado de mãos outras três vezes no último ano.

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