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O enigma de Gatlin: por que ele corre mais com o passar do tempo?

O jamaicano Usain Bolt continua imbatível – mas quem impressiona mesmo é o americano Justin Gatlin, de 33 anos, que inexplicavelmente ficou mais veloz ao envelhecer. Ou seria doping?

Não, não foi a eletricidade da espetacular final dos 100 metros livres do Campeonato Mundial de Atletismo, em Pequim, o rastilho que provocou o desmoronamento da bolsa de valores chinesa no dia seguinte. Usain Bolt ganhou a prova com 9s79, a quadragésima marca mais rápida da história. O nova-iorquino Justin Gatlin levou a prata, com 9s80, diferença de um centésimo de segundo, margem tão estreita que, além da marcação de tempo pelo cronômetro digital, foi preciso a análise da foto da linha de chegada. O primeiro e o segundo lugares se repetiriam nos 200 metros. O jamaicano é um super-­herói, um gigante esportivo do tamanho de Pelé, Michael Jordan e Muhammad Ali. Foi celebrado e será uma oportunidade inesquecível tê-lo no ano que vem na Olimpíada do Rio. No entanto, as vitórias de Bolt na semana passada fazem sombra a outro capítulo das provas de velocidade que impõe indagações cuidadosas, porque as respostas podem ser incômodas. O nome desse capítulo é justamente Gatlin, o atual arqui-inimigo do homem mais rápido do mundo.

Gatlin tem 33 anos (Bolt está com 29). O que impressiona não é seu passado (medalhista de ouro nos Jogos de Atenas, em 2004), mas seu presente. Na contramão do que sempre se verificou entre velocistas, o americano fica mais rápido com o passar dos anos – em 2010, atravessou os 100 metros em 10s09; neste ano, chegou a baixar a marca para 9s74, antes de cravar os 9s80 do Mundial. Bolt bateu o recorde mundial em 2009, com 9s58, e depois foi quase sempre mais lento. Nos últimos seis anos, Gatlin diminuiu seu tempo em 0,35 segundo. Bolt o encolheu em mero 0,03 segundo. É estranho mesmo. Dos trinta atletas que correram abaixo dos 9s9, apenas nove conseguiram o feito depois dos 30 anos – e somente um deles, o britânico Linford Christie, fez sua melhor marca aos 33 anos, como Gatlin (no final da carreira, Christie foi punido em razão de o exame antidoping ter dado resultado positivo para nandrolona, um esteroide anabolizante que confere explosão e força).

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