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Neymar vive momento conturbado na Europa – e volta a perder a cabeça

Sem marcar há cinco jogos, brasileiro é criticado na Espanha por suas atuações e também por seus destemperos na crise do Barcelona

Neymar encerrou 2015 em alta, campeão de tudo com o Barcelona e eleito o terceiro melhor jogador do mundo. Em 2016, porém, o atacante brasileiro já viveu algumas decepções, passou a ser contestado tanto no clube quanto na seleção brasileira e, aos 24 anos, enfrenta seu período mais conturbado desde que se consagrou como um craque mundial. E, ao menos por enquanto, parece não lidar bem com a má fase.

Neste domingo, Neymar completou na derrota em casa para o Valencia o seu quinto jogo consecutivo sem marcar gol. Conforme destaca o jornal catalão Mundo Deportivo, Neymar ainda perdeu 20 bolas e nas chances que teve parou nas defesas do brasileiro Diego Alves, destaque do jogo no Camp Nou. Neymar também recebeu um cartão amarelo no fim da partida e se envolveu em confusão com os rivais após o apito final.

As câmeras flagraram Neymar empurrando o zagueiro Antonio Barragán, com quem já havia se desentendido em encontros anteriores, na saída do gramado. Segundo o jornal espanhol Marca, o capitão da seleção brasileira tentou agredir o jogador do Valencia ao atirar uma garrafa plástica no túnel para os vestiários. Não é a primeira vez que ele perde a cabeça quando os resultados não aparecem.

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Os problemas de Neymar em 2016 tiveram início com as Eliminatórias Sul-Americanas. O jogador não jogou bem e foi novamente suspenso da seleção brasileira ao receber um cartão amarelo tolo no empate com o Uruguai, em Recife, em 25 de março. O craque do Barcelona já havia prejudicado a seleção com seu destempero na Copa América de 2015, quando foi suspenso por quatro jogos pela expulsão contra a Colômbia. Em seus últimos dez jogos pelo Brasil, Neymar recebeu cinco cartões amarelos e um vermelho.

O jogador também teve seu papel de líder da seleção contestado por ter sido flagrado em uma festa logo depois de ser suspenso e deixar a concentração da seleção, que faria um jogo decisivo contra o Paraguai. Até mesmo o narrador Galvão Bueno, da Rede Globo, um de seus maiores defensores, criticou os excessos do jogador. Nesta segunda-feira, o jornal catalão Sport citou que Neymar “nunca mais foi o mesmo” desde o retorno das Eliminatórias e parece ter perdido “a sintonia” com seus companheiros – justiça seja feita: os parceiros Lionel Messi e Luis Suárez também vivem um mau momento.

Copa América: Brasil x Colômbia – 17/06/2015

Copa América: Brasil x Colômbia – 17/06/2015 (/)

Destemperos – Mas além da imprecisão de Neymar em campo, o que tem espantado os europeus é sua irritação. Provocador nato com a bola, desta vez é ele quem tem caído nas armadilhas dos rivais, que, muitas vezes também abusam da violência. Nas partidas contra o Atlético de Madri, que eliminou o Barcelona das quartas de final da Liga dos Campeões, o brasileiro se estranhou com os adversários em diversos momentos.

As crises de fúria do jogador inevitavelmente fazem lembrar a marcante frase do treinador Renê Simões, em 2010. “Estamos criando um monstro”, disse o técnico, que na época dirigia o Atlético-GO e se indignou com a “falta de educação” do jogador no episódio que culminou com a demissão do técnico Dorival Júnior do Santos. Neymar já falou diversas vezes sobre este dia, tratado por ele como um dos mais tristes de sua carreira, e se disse arrependido pelos excessos daquela noite na Vila Belmiro, quando tinha apenas 18 anos.

De fato, o jogador melhorou bastante o seu comportamento. Seu jeito alegre e até humilde perante as estrelas do Barcelona encantou os europeus desde a sua chegada, sobretudo quando os resultados em campo começaram a aparecer. Agora, porém, o clube vive um momento de enorme turbulência e Neymar não parece estar lidando bem com a pressão de ser uma das estrelas da equipe campeã mundial.

Barcelona e Neymar terão jogos decisivos nas próximas semanas para tentar se reerguer. Com a derrota para o Valencia, o Barcelona reabriu totalmente a disputa pelo título espanhol. O time catalão chegou a ter 9 pontos de vantagem, mas agora vê o Atlético de Madri empatado no topo com 76 pontos (o Barça leva vantagem nos critérios de desempate) e o Real Madrid na cola, com 75 pontos. Na quarta-feira, o time catalão enfrenta o Deportivo La Coruña, fora de casa.

(da redação)

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