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Itaquerão: Caixa pode entrar em campo para garantir obra

Patrocinador do Corinthians ajudará a destravar barreira financeira, diz jornal

Obra está avaliada em 820 milhões de reais; desse valor, 400 milhões serão liberados pelo BNDES – que resiste em soltar o dinheiro por causa das garantias apresentadas pela Odebrecht, consideradas frágeis

A Caixa Econômica Federal, principal patrocinadora do Corinthians, pode ajudar o clube a resolver o impasse que ameaça parar as obras no futuro estádio da equipe, na Zona Leste de São Paulo. Na noite de domingo, o ex-presidente corintiano Andrés Sanchez disse que os trabalhos serão interrompidos caso o repasse do financiamento prometido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômicos e Social (BNDES) não se concretize em breve. De acordo com informações publicadas nesta quarta-feira pelo jornal Folha de S. Paulo, a Caixa pode substituir o Banco do Brasil como agente repassador dos valores prometidos pelo BNDES à obra. O BB tinha avaliado que as garantias financeiras apresentadas pela Odebrecht, empreiteira responsável pela obra, não eram suficientes para a liberação do dinheiro. A Caixa pode entrar no negócio e dar o sinal verde para o empréstimo. A Caixa já tinha entrado em campo para ajudar o Corinthians, clube do coração do ex-presidente Lula, poucas semanas antes da disputa do Mundial de Clubes, no ano passado. Depois de passar quase um ano sem patrocinador principal na camisa, o clube, cujo ex-presidente é filiado ao PT, fechou contrato com o banco estatal. O contrato está suspenso por causa de uma liminar – na terça, foi revelado que o pagamento de 2,5 milhões de reais referente a março já não aconteceu.

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Em sua entrevista no domingo, Sanchez falou grosso e avisou que a obra estava próxima de ser paralisada. O dirigente disse ainda que um pacote de melhorias prometidas principalmente pelo governo paulista também não foi entregue. “Todo mundo sabe que o Corinthians dependia do financiamento do BNDES e da garantia sobre investimentos de melhorias para a Zona Leste para tocar a obra. Se não saírem nas próximas semanas, nós vamos parar. Não saiu nem o financiamento nem o pacote. Se não sair em um mês, a obra para”, disparou Andrés, que atua como consultor informal do atual presidente corintiano, Mário Gobbi, para assuntos relativos ao estádio. A cobrança pública do ex-presidente corintiano teve grande repercussão, mas não mudou a posição do Planalto – que, conforme a Folha, concorda com a avaliação do BB de que a garantia apresentada pela Odebrecht insuficiente e promete não interferir mais no caso. Andrés disparou também contra a Fifa por causa do excesso de exigências que, segundo ele, atrasaram a construção. Sem o dinheiro do BNDES, a construtora teve de recorrer a empréstimos em bancos para que tudo corresse de acordo com o prazo estipulado pela Fifa, que prevê entrega no máximo em fevereiro de 2014. Nesses empréstimos, o Corinthians se comprometeu a pagar os juros, estimados em 30 milhões de reais até agora.

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O custo total do estádio foi estimado em 820 milhões de reais, sendo 400 milhões o valor pedido ao BNDES – o restante virá de créditos de impostos municipais que o clube e a construtora poderão vender a empresas para abater impostos – o nome formal do mecanismo é “Certificados de Incentivo ao Desenvolvimento”, e ele foi aprovado em 2011 pela Câmara Municipal de São Paulo. “Se não fossem as medidas da Fifa, o estádio do Corinthians já estaria pronto com o dinheiro que foi investido até agora. O Corinthians gastou 30 milhões, a Odebrecht está fazendo empréstimos e o Corinthians é responsável pelos juros destes empréstimos”, explicou. O pacote de melhorias para a região do Itaquerão, como o estádio ficou conhecido informalmente, inclui a construção de uma Etec e de uma Fatec (escolas e faculdades técnicas do governo do Estado), a extensão da Radial Leste, principal acesso à região e ao estádio, a construção de uma rodoviária e a revitalização das estações de trem e metrô. Os moradores do bairro já sentem os reflexos da valorização da região – preços de aluguéis e serviços básicos sofreram grandes reajustes nos últimos meses.

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