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Goleada do Brasil sobre os EUA confirma ‘Neymardependência’

Seleção venceu americanos por 4 a 1, mas atuação foi medíocre até a entrada do craque em campo

O último amistoso do Brasil antes de estrear nas Eliminatórias Sul-Americanas para a Copa do Mundo de 2018 diante o Chile, em Santiago, serviu para mostrar que o time vai penar nas duas primeiras rodadas, nas quais não poderá contar com o suspenso Neymar. Na vitória desta terça-feira sobre os Estados Unidos por 4 a 1, em Boston, Estados Unidos, só houve jogo nos 45 minutos finais, depois da entrada do craque. Sem ele, o desempenho da equipe foi tão medíocre como havia sido no triunfo por 1 a 0 sobre a Costa Rica, no último sábado.

O adversário mudou em relação ao último jogo, mas o roteiro do primeiro tempo foi o mesmo. A seleção fez um gol cedo (Hulk, aos oito minutos, aproveitando o rebote de um cruzamento de Willian que saiu muito fechado e bateu na trave direita) e perdeu o apetite. Ficou com a posse de bola, mas seu primeiro objetivo era manter o perigo – como se o time norte-americano tivesse todo esse poder ofensivo – longe da área do goleiro Marcelo Grohe.

Depois de abrir o placar, o Brasil só foi chutar a gol de novo aos 25 minutos. Douglas Costa driblou seu marcador e bateu cruzado, mas o gramado artificial tirou a força da bola e facilitou a defesa do goleiro Guzan. E leve-se em conta que os Estados Unidos não pressionavam no ataque nem na marcação – comportamento muito diferente do que a seleção vai enfrentar nos jogos das Eliminatórias a partir de outubro.

Hulk fez o gol em um lance de oportunismo, mas depois não produziu – nem teve chance de produzir nada. Não recebeu uma bola de frente para o gol, não teve companhia para fazer uma tabela e se enrolou em dois ou três lances.

Em meio a bocejos, o primeiro tempo chegou ao fim. Mas aí, no intervalo, o técnico Dunga resolveu colocar o craque em campo. Neymar entrou no lugar de Willian e transformou um jogo modorrento em algo agradável de ser visto.

O astro do Barcelona joga muito e tem prazer em jogar. Para ele, não faz sentido estar em campo para “administrar” um resultado. Ele quer a bola para ir para cima, para driblar, para desestabilizar os marcadores, para fazer gols. E acaba contagiando os companheiros e os encorajando a se livrar das amarras.

Na primeira bola que recebeu, aos quatro minutos, sofreu pênalti. Cobrou um minuto depois e fez 2 a 0. Com ele em campo, Douglas Costa foi para a direita. Mas Neymar não se limitou a ficar na esquerda e ampliou seu território. Moveu-se por todo o ataque, voltou para buscar a bola e mostrou o caminho. Foi demais para o limitado time norte-americano, que não ofereceu mais resistência.

Aos 18 minutos, Rafinha recebeu de Lucas (ambos haviam acabado de entrar) e definiu com calma na saída do goleiro. Pouco depois veio o lance mais bonito da partida. Neymar entrou na área pela esquerda, driblou dois zagueiros em um espaço curto e, mesmo apertado, deu um toque sutil que deixou o goleiro norte-americano congelado: 4 a 0.

A seleção ainda teve chances para aumentar o placar, mas faltou a bola cair no pé de Neymar para a rede balançar. Aos 45 minutos, Williams fez o gol de honra dos donos da casa, em uma falha de Marcelo Grohe. Mas pouca gente percebeu porque só havia olhos para Neymar. Que a terceira rodada das Eliminatórias chegue logo.

Jogadores da seleção brasileira comemoram gol no amistoso contra os Estados Unidos, disputado em Foxborough, estado de Massachusetts – 08/09/2015

Jogadores da seleção brasileira comemoram gol no amistoso contra os Estados Unidos, disputado em Foxborough, estado de Massachusetts – 08/09/2015 (/)

(Com Estadão Conteúdo)

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