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Geninho, o técnico que descobriu Wendell Lira, celebra consagração tardia do atacante

Experiente treinador lembra que o atleta era um destaque nas categorias de base e recebeu até propostas do exterior, mas foi prejudicado por lesões

O mundo todo conheceu o goiano Wendell Lira nesta segunda-feira, quando o atacante de 27 anos superou Lionel Messi e recebeu o prêmio Puskás da Fifa. A trajetória do autor do gol mais bonito de 2015, porém, começou bem antes e pelas mãos de um famoso treinador brasileiro: Geninho, de 67 anos, técnico com passagens por grandes clubes como Corinthians, Santos, Vasco, Atlético-MG e Atlético-PR, entre outros, foi quem lançou Wendell no time profissional do Goiás, em 2006. Ao lembrar do garoto de drible fácil e personalidade em campo, Geninho se diz feliz por ver que Wendell finalmente recebeu o reconhecimento por seu esforço.

“Quando eu o conheci, ele tinha 17 anos, era um jogador muito rápido, tinha personalidade, driblava, fazia gols. Era um destaque das categorias da base e nós tínhamos no Goiás esse projeto de utilizar os jovens”, conta Geninho, que promoveu sua estreia em fevereiro de 2006, com 17 anos recém-completados. O treinador, atualmente sem clube, lembra que Wendell já atuava pelas categorias inferiores da seleção brasileira – foi companheiro de Alexandre Pato em um torneio sub-20 em 2008 – e recebeu até proposta do Milan, recusada pela diretoria do Goiás, mas foi prejudicado pela condição física.

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“Ele teve muitas lesões, primeiro no tornozelo, depois joelho. E depois que eu saí, sei que as lesões continuaram atrapalhando sua carreira. Se não fosse por isso, eu tenho certeza que ele estaria em outro nível”, aposta o treinador, que deixou o Goiás em 2006 para voltar a dirigir o Corinthians, e depois retornou ao Goiás, quando Lira ainda tentava se firmar. O jogador só deixou o clube em 2010 e, desde então, passou por dez clubes, sempre atrapalhado pelas lesões.

Geninho disse que a humildade demonstrada por Lira em seu momento de consagração é uma marca do garoto nascido em Goiânia. “Ele sempre foi tranquilo, nunca tive nenhum problema com ele. Não falei com ele depois da indicação ao Puskás, mas fiquei sabendo que ele deu entrevistas em Goiás dizendo que me considera o melhor treinador com quem ele trabalhou. Fico muito feliz com isso.”

O experiente treinador relembra que lançou outros garotos que vingaram no futebol profissional, como os atacantes Dagoberto e Jô e o goleiro Renan, e disse que sempre teve a preocupação de observar os talentos das categorias de base. “Estou muito contente pelo Wendell. E até de certa maneira comigo, de ver, depois de um tempo, que não errei ao dar-lhe uma chance. Eu brinco que, quando eu meto olho em um garoto, eu erro pouco. Fico contente pelo reconhecimento, todos estes jogadores me agradecem pela oportunidade quando me encontram e isso é o que mais vale na profissão”.

Geninho está sem clube desde que deixou o Ceará, em agosto de 2015, e ainda se vê em condições de descobrir novos talentos como Wendell Lira e realizar grandes trabalhos, como em 2001, quando foi campeão brasileiro pelo Atlético-PR. “No Ceará, eu peguei a tal da zika (doença causada pelo zika vírus), que me derrubou por uns meses. E depois não pintou mais nada de interessante. Não sei se tem muita gente achando que eu já parei, mas eu não parei não”, brincou o ex-goleiro.

O brasileiro Wendell Lira recebe o Prêmio Puskás, de gol mais bonito do mundo em 2015

O brasileiro Wendell Lira recebe o Prêmio Puskás, de gol mais bonito do mundo em 2015 (/)

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