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Futebol, enfim, deve aprovar ajuda tecnológica aos árbitros

International Board autorizou recomendação para que o uso de replays sejam testados em 2016. Decisão final será tomada em 4 de março

Em uma decisão que promete ser histórica para o futebol mundial, a tecnologia deve, enfim, ser utilizada no auxílio à arbitragem. Nesta quinta-feira, diretores da International Board, o órgão que estabelece as regras do futebol, aprovaram uma recomendação para que o uso de vídeos e replays seja testado no futebol, depois de anos de debates. A decisão final será tomada no dia 4 de março pela cúpula da entidade.

Em 2014, a Fifa e a International Board chegaram a debater a ideia, mas adiaram o projeto diante da falta de um entendimento sobre como os testes ocorreriam. Parte dos diretores da entidade que zela pelas regras do futebol também não estava convencida sobre a eficiência da tecnologia. Em outros esportes, como vôlei e tênis, o uso dos replays como auxílio da arbitragem já são utilizados e com muito sucesso.

A tecnologia entrou em campo, mas pode ajudar muito mais

Naquele momento, um grupo técnico foi estabelecido e, nesta quinta-feira, a recomendação foi de que os testes poderiam começar a ocorrer. Uma série de federações nacionais, entre elas a CBF, já indicaram que estão dispostas a realizar os testes em seus torneios.

Também contribuiu para a aprovação a queda de Joseph Blatter da Fifa. O uso do vídeo estava na agenda da International Football Association Board (IFAB) há seis meses. O órgão é espécie de diretório que se ocupa de proteger as regras do jogo formado pelas quatro federações britânicas e pela Fifa.

Nos últimos dois anos, a Fifa bloqueou uma propostas de cartolas europeus para testar o uso de replay nos jogos e novos estudos sobre o assunto foram solicitados para 2016. Antes não havia uma data para o início dos testes, mas com uma nova administração assumindo a entidade a partir de março, a esperança da IFAB é de que os testes possam começar em breve, inclusive no Brasil, que pediu a autorização para testar o vídeo.

Provas já estavam ocorrendo com a Federação Holandesa de Futebol, permitindo em alguns jogos os árbitros mantivessem contato com outro juiz fora de campo e que estariam assistindo a partida por um vídeo. Se alguma dúvida surgisse, o árbitro poderia solicitar imediatamente o apoio.

Mas os holandeses esperavam um sinal verde em março para testar o sistema no campeonato nacional. Pelo menos mais duas federações nacionais – Inglaterra e Escócia – saíram em defesa do projeto. “Nós teríamos aprovado a ideia”, declarou naquele momento o presidente da federação escocesa, Steward Regan.

A Fifa, no entanto, vetou o projeto em 2014. “Ainda não está claro o que seria a proposta do uso do vídeo”, declarou Jérôme Valcke, o então secretário-geral da Fifa. “Essa seria a maior decisão jamais adotada na história moderna do futebol e que teria um grande impacto no futuro do jogo”, argumentou. Com Valcke afastado e Blatter fora da entidade, a esperança é de que os testes se transformem em realidade.

Uma inovação tecnológica já havia sido aprovada pela Fifa há alguns anos e usada até na última Copa do Mundo: sensores colocados na linha de gol avisavam se a bola teria ou não entrado na meta. Na partida entre França e Honduras, no Beira-Rio, foi confirmado o primeiro gol da história dos Mundiais com o auxílio de um recurso eletrônico.

Tecnologia para ajudar os árbitros de vôlei, testada no Mundial de Clubes, em Doha, no Catar

Tecnologia para ajudar os árbitros de vôlei, testada no Mundial de Clubes, em Doha, no Catar (/)

(com Estadão Conteúdo)

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