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Fifa elege nesta sexta o presidente que tentará limpar sua imagem

O xeque do Bahrein Salman Bin Ebrahim Al-Khalifa e o suíço Gianni Infantino são os favoritos para suceder Joseph Blatter

Será conhecido nesta sexta-feira o novo comandante do futebol mundial. Cinco candidatos disputam a eleição para presidente da Fifa, justamente no momento mais conturbado da história entidade envolvida em escândalos de corrupção. O xeque do Bahrein Salman Bin Ebrahim Al-Khalifa e o suíço Gianni Infantino são os favoritos para suceder Joseph Blatter, que ficou no cargo de 1998 até sua renúncia no ano passado. O pleito acontecerá na sede da entidade, em Zurique – o Congresso tem início às 5h30 (de Brasília), mas deve atravessar toda a manhã – e pode ser definido com possíveis “traições” de última hora, inclusive por parte de dirigentes brasileiros.

Esta será a primeira vez na história que cinco candidatos concorrerão à presidência da Fifa. Além de Al-Khalifa, presidente da Confederação Asiática, e Infantino, secretário-geral da Uefa, os outros concorrentes são o príncipe jordaniano Ali Bin Al-Hussein, o francês Jérome Champagne e o sul-africano Tokyo Sexwale. Os cinco passaram no teste de integridade conduzido pela Comissão de Ética e tiveram os nomes referendados em 9 de novembro do ano passado. O liberiano Musa Bility e o francês Michel Platini não foram aprovados e ficaram de fora da corrida.

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A renovação na presidência da Fifa se fez necessária diante do escândalo de corrupção deflagrado pelo governo dos Estados Unidos dias antes das eleições regulares de maio do ano passado. Já em Zurique, às vésperas do Congresso da entidade, 16 dirigentes do alto escalão foram presos – incluindo o então presidente da CBF, José Maria Marin. Blatter foi eleito para seu quinto mandato, mas, pressionado pela crise, anunciou três dias depois que deixaria o cargo.

O xeque Al-Khalifa, membro da família real do Bahrein, despontou como grande favorito na reta final da corrida presidencial, condição que antes era de Infantino, a partir dos apoios anunciados. O sistema eleitoral, no entanto, abre brechas para surpresas.

Como funciona a eleição – Nesta sexta-feira, 209 representantes das federações nacionais filiadas à Fifa, irão às urnas. O peso do voto de cada entidade é o mesmo. Por causa disso, Europa e América do Sul, juntas, não representam mais que 30% do eleitorado.

Os 209 votos – secretos, em teoria – são divididos da seguinte forma: Confederação Africana (54), Uefa (53), Confederação Asiática (46), Concacaf (35), Oceania (11) e Conmebol (10). Para ser eleito no primeiro turno, um candidato terá que receber dois terços dos votos. Caso contrário, será excluído aquele que tiver o menor número de votos e terá início um segundo turno. A partir daí, será eleito quem receber maioria simples (mais que 50% dos votos).

Xeque Salman Bin Ibrahim Al-Khalifa, do Bahrein, em encontro com o então presidente da Fifa, Joseph Blatter, em 2013

Xeque Salman Bin Ibrahim Al-Khalifa, do Bahrein, em encontro com o então presidente da Fifa, Joseph Blatter, em 2013 (/)

Possibilidade de ‘traições’ – Uefa e Conmebol contam 63 votos de 209 e por isso Gianni Infantino, que é oficialmente apoiado pelas duas confederações, terá que conseguir apoio em outras entidades, que estão recomendando voto em bloco para os filiados.

A escolha, no entanto, é secreta, o que pode permitir mudanças de última hora, mesmo com a orientação pelo apoio em determinado candidato, pois não existe qualquer obrigação de atender esta indicação.

O príncipe jordaniano Ali Bin Al-Hussein foi um dos que questionou o sistema, e garantiu que há possibilidade de que representantes de federação tenham que tirar fotos da cédula de votação, para comprovar apoio a determinado candidato – em troca de favores no futuro.

Por causa disso, o concorrente à presidência pediu ao Tribunal Arbitral do Esporte (TAS) que suspendesse as eleições caso a Fifa não instalasse cabines de votação transparentes, para evitar que os votos fossem registrados em fotografias ou vídeos. O TAS, no entanto, rejeitou a solicitação do Príncipe.

Nas contas atuais, o xeque Salman Al-Khalifa conta com os 46 votos da Ásia, e se pressupõe que também com os 54 da África. Caso tenha esses 100 apoios, o xeque precisará de 11 votos da Oceania para ficar a cinco de vencer as eleições no primeiro turno.

A “rigidez” do voto do continente africano, no entanto, não está garantida, já que Infantino tenta conseguir tirar alguns apoios do candidato do Bahrein. Salman Al-Khalifa, porém, estaria tentando atrair votos da Conmebol. Dirigentes da CBF admitiram à Agência Estado a possibilidade de apoiar o xeque de última hora, para ficar do “lado vencedor”.

O Príncipe da Jordânia seria o terceiro nome da disputa, despontando como a única possível surpresa no pleito. O dirigente foi o único concorrente de Blatter em março do ano passado, obtendo 73 votos, contra 133 do suíço. Em seguida, ele desistiu do segundo turno.

Além disso, Moussa Bility, promete estar na disputa, incluído como “não-candidato”, garantindo que 26 federações da África irão votar nele. O liberiano entrou com recurso no TAS, e pode atrapalhar os planos dos favoritos.

Considerado candidato independente, Jérome Champagne se diz o único em condições de romper com o passado da entidade. Já Tokyo Sexwale não conta nem com o apoio da federação sul-africana. Os dois sequer entram nos prognósticos de um possível segundo turno.

(Com agência EFE)

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