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Fenômeno da canoagem, Isaquias Queiroz capota o carro

Atleta de 21 anos caiu em uma ribanceira nesta madrugada, no caminho para sua cidade natal, Ubaitaba, no interior da Bahia.

Por Da Redação - 21 set 2015, 15h53

O canoista Isaquias Queiroz sofreu um acidente de carro na madrugada desta segunda-feira, no caminho para Ubaitaba, sua cidade natal, no interior da Bahia, mas não se feriu. Campeão mundial e pan-americano e uma das principais esperanças de medalha do Brasil para a Olimpíada de 2016, o atleta de 21 anos perdeu o controle de sua picape, capotou e acabou caindo em uma ribanceira por volta das 3h da madrugada, na BR-101. Em entrevista ao site Ubaitaba.com, Isaquias contou ter “cochilado” ao volante quando voltava do aeroporto de Ilhéus, onde buscou seu irmão e um amigo. Nenhum dos três se feriu.

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“Quando estávamos voltando eu acabei cochilando ao volante. Foi questão de segundos, o carro saiu da pista, meu amigo e meu irmão me avisaram um pouco tarde. Acabamos entrando no matagal, caímos da ribanceira, mas não aconteceu nada com ninguém. O único dano foi o carro”, contou Isaquias. “É inacreditável para quem vê as fotos. É um local de difícil acesso, com pedras, e nós não tivemos nenhum arranhão. Foi milagroso, eu nasci de novo.”

Aliviado, o atleta ainda brincou. “Foi mais um acidente para o meu currículo. Sou conhecido como sete vidas.” Aos três anos, Isaquias virou uma panela de água quente no corpo e ficou mais de um mês internado. E aos dez anos perdeu um rim, quando caiu de uma árvore.

Isaquias conquistou seis medalhas em Mundiais de Canoagem de velocidade, sendo três de ouro e três de bronze, além de dois ouros nos Jogos Pan-Americanos de Toronto deste ano. No início do mês, ele liderou um boicote a um evento-teste da canoagem para a Olimpíada do Rio. Isaquias e outros três colegas não competiram na Lagoa Rodrigo de Freitas, alegando que não recebem salário da Confederação Brasileira de Canoagem (CBCa) há oito meses.

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Em reportagem especial, VEJA apresentou 11 promessas olímpicas, que devem brilhar nos Jogos do Rio de Janeiro, em agosto do ano que vem. Leia o perfil de Isaquias abaixo ou clique aqui para ler todos os textos.

Isaquias Queiroz, o Neymar da canoagem VEJA

O Neymar de Ubaitaba

Isaquias Queiroz, 21 anos – Canoagem de velocidade

“A constituição física desses índios (…) é robusta e sua fisionomia muito mais simpática do que a dos sabujás e dos cariris. São bons remadores e nadadores.” A descrição dos brasileiros encontrados entre 1817 e 1820 no sul da Bahia está na Viagem pelo Brasil, de Carl Friedrich Philipp von Martius e Johann Baptiste von Spix, naturalistas alemães que vieram descobrir por que nesta terra em se plantando tudo dá. Corte para o século XXI e vamos encontrar Isaquias Queiroz, medalha de ouro na prova de velocidade de 500 metros no campeonato mundial de canoagem de Duisburgo, cidade banhada pelo Ruhr. Ele é o índio brasileiro que mostra aos alemães de hoje o que é ficar de joelhos, enfiar os remos na água e zarpar.

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Natural de Ubaitaba, na Bahia, lugar de gente robusta, o menino sem um rim (perdido numa queda da mangueira onde buscava uma cobra) começou a remar no Rio das Contas, onde se descobriram dezenas de outros Isaquias bons de canoa. Mas nenhum foi tão longe quanto o Sem Rim, como o apelidaram jocosamente. A glória não lhe subiu à cabeça, ou quase não subiu. Isaquias, de pele e cabeleira agredidas por água e sol, coleciona cortes de cabelo e cremes hidratantes. “Já fiz até escova progressiva. Tenho de me cuidar, senão a namorada me larga”, brinca. Recentemente, Isaquias fez um corte à Neymar. Em tempo, para não restar dúvida: a palavra Ubaitaba, que dá nome à terra natal de Isaquias, é a fusão de três vocábulos indígenas: ubá, canoa pequena; y, rio; e taba, aldeia

(Da redação)

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