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Fenômeno da canoagem, Isaquias Queiroz capota o carro

Atleta de 21 anos caiu em uma ribanceira nesta madrugada, no caminho para sua cidade natal, Ubaitaba, no interior da Bahia.

O canoista Isaquias Queiroz sofreu um acidente de carro na madrugada desta segunda-feira, no caminho para Ubaitaba, sua cidade natal, no interior da Bahia, mas não se feriu. Campeão mundial e pan-americano e uma das principais esperanças de medalha do Brasil para a Olimpíada de 2016, o atleta de 21 anos perdeu o controle de sua picape, capotou e acabou caindo em uma ribanceira por volta das 3h da madrugada, na BR-101. Em entrevista ao site Ubaitaba.com, Isaquias contou ter “cochilado” ao volante quando voltava do aeroporto de Ilhéus, onde buscou seu irmão e um amigo. Nenhum dos três se feriu.

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“Quando estávamos voltando eu acabei cochilando ao volante. Foi questão de segundos, o carro saiu da pista, meu amigo e meu irmão me avisaram um pouco tarde. Acabamos entrando no matagal, caímos da ribanceira, mas não aconteceu nada com ninguém. O único dano foi o carro”, contou Isaquias. “É inacreditável para quem vê as fotos. É um local de difícil acesso, com pedras, e nós não tivemos nenhum arranhão. Foi milagroso, eu nasci de novo.”

Aliviado, o atleta ainda brincou. “Foi mais um acidente para o meu currículo. Sou conhecido como sete vidas.” Aos três anos, Isaquias virou uma panela de água quente no corpo e ficou mais de um mês internado. E aos dez anos perdeu um rim, quando caiu de uma árvore.

Isaquias conquistou seis medalhas em Mundiais de Canoagem de velocidade, sendo três de ouro e três de bronze, além de dois ouros nos Jogos Pan-Americanos de Toronto deste ano. No início do mês, ele liderou um boicote a um evento-teste da canoagem para a Olimpíada do Rio. Isaquias e outros três colegas não competiram na Lagoa Rodrigo de Freitas, alegando que não recebem salário da Confederação Brasileira de Canoagem (CBCa) há oito meses.

Em reportagem especial, VEJA apresentou 11 promessas olímpicas, que devem brilhar nos Jogos do Rio de Janeiro, em agosto do ano que vem. Leia o perfil de Isaquias abaixo ou clique aqui para ler todos os textos.

Isaquias Queiroz, o Neymar da canoagem

Isaquias Queiroz, o Neymar da canoagem (/)

O Neymar de Ubaitaba

Isaquias Queiroz, 21 anos – Canoagem de velocidade

“A constituição física desses índios (…) é robusta e sua fisionomia muito mais simpática do que a dos sabujás e dos cariris. São bons remadores e nadadores.” A descrição dos brasileiros encontrados entre 1817 e 1820 no sul da Bahia está na Viagem pelo Brasil, de Carl Friedrich Philipp von Martius e Johann Baptiste von Spix, naturalistas alemães que vieram descobrir por que nesta terra em se plantando tudo dá. Corte para o século XXI e vamos encontrar Isaquias Queiroz, medalha de ouro na prova de velocidade de 500 metros no campeonato mundial de canoagem de Duisburgo, cidade banhada pelo Ruhr. Ele é o índio brasileiro que mostra aos alemães de hoje o que é ficar de joelhos, enfiar os remos na água e zarpar.

Natural de Ubaitaba, na Bahia, lugar de gente robusta, o menino sem um rim (perdido numa queda da mangueira onde buscava uma cobra) começou a remar no Rio das Contas, onde se descobriram dezenas de outros Isaquias bons de canoa. Mas nenhum foi tão longe quanto o Sem Rim, como o apelidaram jocosamente. A glória não lhe subiu à cabeça, ou quase não subiu. Isaquias, de pele e cabeleira agredidas por água e sol, coleciona cortes de cabelo e cremes hidratantes. “Já fiz até escova progressiva. Tenho de me cuidar, senão a namorada me larga”, brinca. Recentemente, Isaquias fez um corte à Neymar. Em tempo, para não restar dúvida: a palavra Ubaitaba, que dá nome à terra natal de Isaquias, é a fusão de três vocábulos indígenas: ubá, canoa pequena; y, rio; e taba, aldeia

(Da redação)

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