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Fama de ‘bichado’ perseguiu Wendell Lira antes do gol mais bonito de 2015

Diretor do Goianésia, clube pelo qual o atacante marcou o golaço premiado pela Fifa, diz que apostou nele quando poucos acreditavam

Wendell Lira atuando pelo Goianésia durante o Campeonato Goiano 2015

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Citando a passagem bíblica de Davi e Golias em um discurso emocionado, ao receber o Prêmio Puskás nesta segunda-feira pelo gol mais bonito de 2015, Wendell Lira mostrou a humildade de um brasileiro que chegou ao topo por um golpe do destino. Ele não ganha milhões nem joga por um grande clube, mas conseguiu vencer o atual melhor jogador do mundo, o argentino Lionel Messi, dono de cinco Bolas de Ouro. Hoje, o algoz de Messi é o Davi que derrubou o gigante Golias, mas nem sempre foi tão badalado – nem mesmo em Goiânia, onde nasceu e foi revelado no Goiás, em 2006.

No começo de 2012, o atual jogador do Vila Nova-GO atuava pelo Trindade na segunda divisão do Campeonato Goiano. No segundo semestre daquele ano, se lesionou e ficou parado por cinco meses. E nesse período chegou a trabalhar com a mãe em uma lanchonete para ajudar nas despesas de sua casa, em conjunto com a esposa Ludymila – que estava presente na premiação da Fifa.

O que na época parecia o fim da revelação goiana foi oportunidade para o modesto Goianésia. “Ninguém mais acreditava que aquele mesmo Wendell Lira poderia voltar. Nós acreditamos e oferecemos a ele uma proposta para que ele retornasse e voltasse a jogar como antes”, revela o Diretor de Futebol do Goianésia, Fabrício Leopoldo, que ainda é funcionário do clube goiano.

Geninho, o técnico que descobriu Wendell Lira, celebra consagração tardia do atacante

Antes da contratação, de acordo com Leopoldo, Wendell Lira era conhecido em Goiânia e nos arredores como um jogador “bichado”, por causa das seguidas lesões que o deixavam mais no departamento médico do que no gramado dos clubes por onde passava. O jogador já havia rompido os ligamentos do joelho duas vezes durante a carreira, uma em 2007, pelo Goiás, e outra em 2010, quando jogava pelo Fortaleza.

“Ele era desacreditado por todos, mas nós sabíamos o que ele poderia jogar”. A aposta deu certo: em sua primeira passagem pelo Goianésia, ele foi um dos principais jogadores do time, que chegou como a grande surpresa do Campeonato Goiano de 2013 ao atingir as semifinais da competição.

Com uma boa primeira passagem pelo Goianésia, que disputou a Série D de 2013, Wendell Lira acertou com o mineiro União Recreativa dos Trabalhadores (U.R.T.) para disputar a Série C de 2014. No final do ano, o Goianésia fez questão de trazer de volta o atacante. Em março, no Campeonato Goiano, contra o Atlético-GO, Lira fez o gol antológico que o levou à premiação na Fifa. “Sabíamos que a repercussão do gol seria grande, mas não a ponto de ganhar como o mais bonito”, afirma Leopoldo.

Logo após o término do torneio, Wendell foi para o Tombense, de Minas Gerais, com uma proposta salarial mais vantajosa para o jogador. Leopoldo não conseguiu segurar Wendell, mas diz que não se arrepende: “O nome dele está na história, assim como o do Goianésia. A saída dele era inevitável, até porque clubes pequenos como o nosso não conseguem fazer contratos de longo prazo. Mas ele merece tudo isso por toda a humildade e caráter dele”.

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1 – Wendell Lira

Único brasileiro na lista, o atacante que atuava pelo Goianésia E.C. fez o golaço na partida contra o Atlético Goianiense. Hoje, Wendell atua pelo Vila Nova, de Goiás

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2 – Lionel Messi

O camisa 10 do Barcelona anotou o belo gol contra o Athletic Bilbao

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3 – Alessandro Florenzi

O meio-campista da Roma acertou o chute do meio de campo contra o Barcelona

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