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Ex-presidente da IAAF teria recebido 200 mil euros para encobrir doping de atletas russos

Investigação criminal aberta pela Promotoria francesa acusa o senegalês Lamine Diack de participar diretamente do caso de corrupção na entidade

Ex-presidente da Associação Internacional das Federações de Atletismo (IAAF, na sigla em inglês), o senegalês Lamine Diack está sob investigação criminal por corrupção e lavagem de dinheiro, com suspeitas de ter recebido pelo menos 200 mil euros da Federação Russa de Atletismo para encobrir resultados positivos em exames antidoping de alguns competidores russos, segundo informações divulgadas nesta quarta-feira pela Promotoria da França que cuida do caso de corrupção na entidade. “Deus sabe o que está acontecendo lá”, disse o ministro dos Esportes da Rússia, Vitaly Mutko, à agência de notícias russa Tass. “Nós já dissemos que a nossa federação teve problemas. A antiga gestão não está mais atuando lá.”

O assessor jurídico de Diack, Habib Cisse, também foi colocado sob investigação por juízes a partir de provas fornecidas pela Agência Mundial Antidoping (Wada, na sigla em inglês). Gabriel Dolle, ex-diretor do departamento antidoping da IAAF, também foi levado em custódia em Nice, no sul da França, explicaram os promotores. A polícia também visitou a sede da IAAF em Mônaco “para realizar questionamentos e acessar a documentação”, disse a associação. A entidade garantiu que está “cooperando plenamente com todas as investigações”.

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Escândalo – Entre julho e agosto deste ano, o jornal britânico The Sunday Times e a emissora alemã ARD revelaram ter tido acesso ao resultado de 12.000 testes de sangue de 5.000 atletas ao longo de uma década. Estas informações foram tiradas do banco de dados da própria IAAF e vazadas por uma fonte não identificada. De acordo com a análise, 800 atletas registraram testes de sangue com resultados suspeitos ou abaixo dos padrões da Agência Mundial Antidoping (Wada).

Ainda segundo a denúncia revelada pelo The Sunday Times, 34 vencedores de “grandes maratonas”, entre 2001 e 2012, poderiam ter sido punidos por suspeita de doping. De acordo com o levantamento, sete de 24 campeões da Maratona de Londres eram atletas que em algum momento da carreira apresentaram resultados anômalos em seus exames antidoping, mas, de acordo com a acusação, a IAAF encobriu os casos.

Lamine Diack, de 82 anos, deixou a presidência da IAAF em agosto, após 16 anos de comando. O atual presidente da IAAF é Sebastian Coe, um dos grandes nomes do atletismo britânico, que comandou o Comitê Organizador da Olimpíada de Londres, em 2012. Em agosto, Coe derrotou o ucraniano Sergei Bubka na eleição para a presidência da entidade.

(Com Estadão Conteúdo)

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